Herdeiro do antigo Café do Porto, que ocupava também a loja vizinha, o Z Café da rua Padre Chagas fechou as portas sábado passado. Eu fui frequentador da roda que se reunia para um cafezinho amigo ao sábados e domingos de manhã.

Sempre brincava dizendo que o grupo representava boa parte do PIB gaúcho. Menos eu é claro, posto que sou um humilde escriba afeito à registrar o cotidiano deste país, que já viveu melhores tempos.
O fechanento do Z marca também o fim da época gloriosa da Padre Chagas. Há 30 anos, a rua fervia com pelo menos uma dúzia de restaurantes e bares. A rua perpendicular, Fernando Gomes, era conhecida como a Calçada da Fama.

Foi o primeito núcleo de operações gastronômicas a sentir a queda do poder aquisitivo dos porto-alegrenses. O próprio Z, que ficava na parte oposta, era uma senhora operação, com dois andares. Os donos optaram para franquear a operação na parte oposta, e assim nasceu e morreu o Z Café.

A Padre Chagas tinha uma empreendedora, a Cacaia Bestetti, que alavancou a rua do padre. A tal ponto que promovia até a festa nacional da França, um dos eventos temáticos que virou notícia de jornal.
Quando ela vendeu o ponto, eu pensei, “Bom, lá se foi o boi com corda e tudo”. Quem ainda brilha no bairro é a rua Dinarte Ribeiro.
Os tempos mudam
Se você perguntar para um dono de restaurante em Porto Alegre, terá respostas semelhantes, queixando-se do movimento fraco ou dizendo que só lota nos finais da semana. A grande verdade é que falta dinheiro para o consumidor.

Um detalhe que explica o fim do Z tem a ver com os novos tempos: sem vender comida, esse tipo de cafeteria não não vai longe. Vender só cafezinho não adianta.
E claro que os shoppings atraíram muito comércio de rua. Mas até neles não há garantia de bom faturamento.
Em alguns shoppings, dá pena ver a quantidade de lojas fechadas. Porto Alegre, quem te viu, quem te vê.
Enquanto isso…
Impressiona o movimento em praias como Tramandaí, Torres e Capão da Canoa. Calejados nativos destes balneários revelam que é um fenômenos que se intensifica especialmente quando há muitos dias de frio, vento e chuva durante a semana. Aos sábados e domingos, a galera corre para o Litoral em busca de novos ares e de um refúgio mais tranquilo.

Desencanto jovem
Diminuiu 29% a procura por Título de Eleitor entre os jovens até 29 anos. Já 31% dos eleitores de até 24 anos disseram que preferem não votar. O desencanto com a política é um fato, e pior, é uma tendência.