Semana da Pátria, 5 de setembro de 1953. Eu tinha 13 anos de idade. Cumprindo determinação do Ginásio São João Batista de Montenegro, eu e colegas de turma nos revezavavamos guardando o Fogo Simbólico, aceso na Pira da Pátria da praça da cidade.
Meu turno começava à meia noite. Um frio dos diabos. E eu, todo pimpão, cumprindo orgulhosamente meu dever cívico.
Nisso, passa o Cabeleira, figura popular da cidade. Ele para e fica me olhando. Um bafo de cachaça parecia aumentar a chama do fogo.
– O que fazes aqui a essa hora, guri?
– Estou guardado o fogo simbólico – respondi orgulhosamente.
– Pra mim não parece simbólico – falou o Cabeleira. – Mas me diga uma coisa. Quem é que ia querer roubar esse foguinho?
Lá se foi meu patriotismo.