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Quando a ficha cai

Dei-me conta da inutilidade em esperar que este bendito país consiga sair do abismo em que ele mesmo se jogou, ano após ano, década após década. Nos verdes anos, eu tinha esperança de que não demoraria para que levantássemos do berço esplêndido. Mas qual o quê. 

Se até no Hino Nacional constava o eternamente, não seriam poucos anos que esta formidável equação fosse, se não resolvida, pelo menos encaminhada. Circunstâncias adversas sempre foram nossa fiel acompanhante.

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Quando a ficha cai, a gente enxerga mais longe e descobre que nós as criamos. Somos viciados em ineficiência.

O Brasil de marcha-ré

Uso o exemplo das ferrovias e do transporte fluvial para ilustrar meu desânimo. No tempo de Dom Pedro II, o  Brasil tinha uma excelente malha ferroviária.

Até trenzinho elétrico tínhamos no Rio de Janeiro. Nos anos 1920 e 1930, os trilhos compensavam a ausência de estradas.

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Então surgiu o primeiro alarme: com medo de uma invasão argentina, as ferrovias gaúchas passaram a ter bitola menor que a dos hermanos. Com isso a velocidade máxima não passava de 70 km/h.

Os atraso se instala 

Mesmo assim, nos anos 1950, o Rio Grande do Sul inaugurou um trem de passageiros com vagões Pullman, um luxo. Em 1958, o governo Juscelino Kubitscheck optou pelo transporte rodoviário e passou a matar as ferrovias.

Então, chegamos ao ponto: optamos por esse meio de transporte sem ter rodovias boas. Liquidamos com o modal fluvial, que tanta carga transportou até meados dos anos 1950, e cá estão nossos rios assoreados por falta de dragagem. Perceberam a marcha-ré que engatamos?

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O médico e o monstro

Esse missionário americano que pregava em Viamão e que espancou o filho até a morte é a prova provada que, atrás de boas intenções, muitas vezes, abrigam-se monstros. Antes de Sigmund Freud, o escritor Robert Louis Stevenson escreveu Doctor Jekyll and Mr. Hide, O Médico e o Monstro.

Uns conseguem segurar o monstro. Outros não.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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