Hamid foi um libanês muito popular no centro de Porto Alegre nos anos 1970. Invariavelmente, de sobretudo preto, fosse inverno ou verão. Trazia nos lábios um charuto quase sempre apagado.
Falava com forte sotaque que, às vezes, custava entender. Certa vez o vi saindo de uma cafeteria com uma enorme bolota avermelhada na bochecha.
– Mas o que é isso, Hamid? Furúnculo?
Ele fez não com a cabeça e encostou o dedo indicador no machucado
– Pasarinio preto fez bzzzz en Hamid.
– Passarinho preto?
– Sim. Bespa.
Tá bem. Vespa made in Líbano.