Se é para falar em saudade, eu as tenho do trânsito quando comecei a carreira de jornalista, em 1968. A redação do jornal Zero Hora ficava na Sete de Setembro, centro de Porto Alegre.
Eu cobria a reportagem policial da madrugada. Confesso que era boca braba. Encarei muito bandido da pior espécie e até sofri atentados à bala e um com bomba molotov.
Também confesso que adorava meu trabalho. Sim, tinha seus perigos, mas, ao fim e ao cabo, não morri nem me feri. Para ir do centro até o bairro Ipanema, Zona Sul, só se passava por duas sinaleiras. Vapt-vupt.
Nas madrugadas quentes de verão, quando não havia ocorrências de vulto que merecessem minha atenção ou a do fotógrafo, íamos para Ipanema beber duas ou três cervejas nos quiosques à beira-rio Guaíba. Que, na época, não era metido a besta exigindo ser chamado de lago Guaíba.