O Jornalismo raiz, aquele praticado no interior com muito esforço e redobradas dificuldades, é algo que sempre me emociona. Caso do Jornal do Povo de Cachoeira do Sul, cujo diretor é Eládio Vieira da Cunha, diário que acaba de completar 97 anos de circulação ininterrupta. É um raro exemplo no Rio Grande do Sul de veículo com circulação impressa garantida por seu público leitor.Quem faz o melhor jornalismo
Certa vez, perguntaram-me qual o melhor jornalismo que se faz. Seria nos jornais grandalhões como o The New York Times ou os nossos?
Respondi que o jornalismo de verdade é o dos pequenos jornais do interior. Evidentemente, acho o NYT um exemplo. Ele e outros de boa reputação daqui.

No entanto, o que aproxima as pessoas são os pequenos do interior. E citei um exemplo extraído de uma leitura feita naquele dia.
O jornal Fato Novo, de Montenegro RS, publicou, há anos, uma matéria sobre uma pessoa achada morta num lugar ermo. O texto dizia que ele era fulano de tal, filho de uma costureira que tinha feito o vestido de uma miss que ganhara o concurso estadual. Também fizera vestidos para….
Perceberam? Toda uma história em torno de um pequeno caso policial, mostrando a vida e obra de uma comunidade.
Sempre digo que é preciso vestir uma pessoa com roupas da realidade que ele vive ou viveu. Um homem foi atropelado. Não diz nada.

Um homem de 30 anos foi atropelado, diz pouco mais. Um homem de 30 anos foi atropelado por uma Ferrari, já diz mais. Um homem de 30 anos foi atropelado por uma Ferrari, quando saía da festa de casamento da filha do milionário tal, já diz muito mais.
Um homem de 30 anos foi atropelado por uma Ferrari, quando saía da festa da filha do milionário tal, e sua namorada era irmã do atropelado… Viram como é uma baita história a ser contada e a ser desvendada?
Pequenas tragédias
Tenho minhas dúvidas se comida de hospital precisa ser ruim. No tempo em que galinha não custava barato, dizia-se que, quando pobre comia galinha, um dos dois estava doente.
Nos hospitais, a canja dessa pobre penosa é o orato de resistência. Sem sal, uma coisa horrorosa, que o estômago aceita porque os doutores disseram que paciente não pode comer bem.
Já o sal é o próprio demônio em forma de pequenos cristais. Um bom bufe reanima e ajuda muito na recuperação do doente, digo eu.
Vou mais longe. Acho que comida de hospital é ruim porque os caras querem lucrar mais ou perder menos, dependendo do caso.
Um cara de respeito
O treinador Carlo Ancelotti deu uma entrevista para o jornal Folha de S.Paulo que deveria ser lida nas escolas. O que ele diz sobre futebol é sobre o Brasil e nossos defeitos.
Essa necessidade doentia de ter supercraques, de ídolos, em vez de prestigiar o coletivo, gentes. O cara desenhou o retrato do Brasil a partir de quatro linhas.

Infeliz da nação que precisa de heróis, disse o dramaturgo Bertolt Brecht há mais de 70 anos. O Brasil quer Deus e não deixa por menos.
Se tivéssemos espírito coletivo e botássemos a mão na consciência quando jogamos pedra nos outros, sem olhar para o próprio rabo, bem, seria um bom começo.
Massacre
Ver TV em qualquer horário mostra que nunca antes o governo e as estatais anunciaram tanto para mostrar os feitos do governo Lula. É propaganda descarada, que nem fazem muita questão em esconder.
Em seis meses, o governo empenhou 520 milhões para publicidade. Sem falar nas estatais.
Nao dá para entender porque os partidos da oposição deixam esse massacre passar batido. Nem por que a justiça eleitoral não entra em campo.