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A China e as ferrovias

A China inaugurou, em 2025, uma megaestação ferroviária com oito pavimentos em Chongqing. Tem mais de um milhão de metros quadrados de área.

Reprodução do Facebook

Como tudo no colosso asiático, a arquitetura é futurista e está apta a receber trens de alta velocidade, alguns ainda em desenvolvimento. Os sistemas computadorizados garantem o controle das plataformas (15) de embarque e desembarque das 19 linhas funcionais.

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Não precisa de muita informação para entender o que isso representa para províncias adjacentes, seja no comércio, indústria e turismo. Um dos trens novos opera com sistema magnético, em que as rodas não tocam nos trilhos, com gasto mínimo de energia.

Por enquanto há dificuldades tecnológicas, mas eles chegam lá. Será o trem do futuro e, em alguns lugares, existem trechos experimentais.

Na rabeira

A questão que não nos deixa tranquilos é comparar o que a China, a Europa e os Estados Unidos fazem em transporte ferroviário e o que o Brasil deixa de fazer. No Centro Oeste, temos ferrovias tímidas e, no Rio Grande do Sul, as antigas estações ferroviárias estão demolidas ou aguardando seu triste fim, ocupadas por setores das prefeituras.

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Dói muito ver isso, porque eu peguei os bons tempos em que o Rio Grande do Sul tinha até uma estatal ferroviária, a Viação Férrea do RGS. Os vagões de passageiros eram Pullman, sinônimo de luxo, empregados até hoje na Europa.

Como era bom meu húngaro

Até o início dos anos 1990, a Rede Ferroviária Federal operava os trens húngaros na linha Porto Alegre – Uruguaiana, na Fronteira Oeste. Eram uma maravilha limitada a 80 ou 90 km/h por causa da bitola estreita (1 metro).

Para ir à Fronteira precisava primeiro trafegar até o centro do Estado, Santa Maria, e só então “descer” rumo à Uruguaiana, uma jornada de oito horas. Mas com bar a bordo, ar condicionado e janelões de cima a baixo curtia-se a viagem.

Hoje, nem isso temos mais. Nem 80, nem 90. Mas em marcha-ré.

https://www.senar-rs.com.br/

A partir de 1958, os sucessivos governos deixaram as ferrovias de carga e passageiros de lado para privilegiar as rodovias. Os trilhos foram para as siderúrgicas, os trechos da Rede Ferroviária Federal foram doados para lindeiros das ferrovias.

Agora, fala-se em reativar os trens. Parece até piada. Quanto custará desapropriar o trecho que vai de Porto Alegre para a Serra por exempolo?

O Brasil faz uma força danada para não dar certo.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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