Search

As graças do alemão

Pululam por aí chistes, ditos e causos envolvendo o sotaque dos descendentes de alemães. É muito difícil dar graça no escrever em alemão. E, mesmo no falar, é brabo.

Principalmente quando o imitador não é iniciado na língua de Goethe. Então aqui vai um causo meu.

Em uma cidade do vale do Caí, ficou famoso um subprefeito chamado Alfonso, que circulava muito nos distritos cuja população era predominantemente de origem alemã. Então, Alfonso virou Alfons – a pronúncia fica entre o “s” e o “z”. Pelo seu jeito de agir logo virou personagem folclórico.

Muito prestativo, fazia o bem sem olhar a quem. Um dia, um caminhão da prefeitura manobrava numa rua muito estreita. Vendo a cena, o Alfons foi para a parte traseira do veículo e começou a dar dicas.

 –  Vem de ré, uma veiz, não tem ero.

Preocupado com o pouco espaço, o motorista ficou na dúvida.

 – Mas tdá tudo limbo aí atraas?

 – Vem ti rindo, só tem um bosta.

Senso de humor de alemão tem disso. Grande bosta ter uma bosta no caminho. O motorista engatou a ré na caixa seca no Ford F-8 e mandou bala.

Segundos depois, ouviu-se um grande estrondo. Aflito, o motorista saiu da boleia para conferir o estrago: tinha derrubado um poste. O Alfons ainda tripudiou.

– Eu avisei que tinha um bosta, rapaiz! Tu tinha que ser mais cuitatooo, uma veiz.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

Deixe sua opinião

Publicidade

Publicidade