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Ventos da guerra

Alguém já disse que os ventos da guerra nunca se vão, de fato. O que está acontecendo no Oriente Médio é uma história armada que recém está nas primeiras explosões de mísseis.

Fazer prognósticos sobre os efeitos bélicos e econômicos agora é prematuro e inútil. A única certeza é que o Irã não é nenhuma Venezuela.  

A Farrapos em farrapos

Outrora avenida de referência para Porto Alegre, com seu comércio vibrante e pulsante, hoje ela é a decadência em forma de prédios sujos e abandonados. Nos anos 1950, a Farrapos era tão diferenciada que teve até a primeira onda verde no estado.

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Se você entrasse a 60 km/h com sinal verde na curva da Casa Dico, ao lado da estação do Trensurb hoje, chegaria na rua da Conceição sem pegar sinal fechado. Com o tempo, os reclames populares pediram mais sinaleiras e a onda morreu na praia.

O sanduíche Farrapos

O que fez a glória da avenida foi o comércio de autopeças e revendas de automóveis. Em 1954, o presidente Getulio Vargas proibiu a importação de carros que custassem mais de 2,5 mil dólares. OU seja, significava poder comprar apenas carros médios, não mais Cadillacs, Oldsmobile e carrões caros como Mercedes, Jaguar, Maserati e outros marcas de ponta.

www.brde.com.br

A frota existente na cidade precisava de peças. E foi assim que a Farrapos ganhou brilho. Quando os carros americanos começaram a deixar o mercado para dar lugar aos modelos fabricados no Brasil, a partir de 1958, os farrapos tomaram conta da avenida.

E o aumento da frota levou à falta de estacionamento. Outro golpe mortal, além da criação da avenida Castelo Branco, sem semáforos.  

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A noite da avenida

Nos anos 1970 e 1980, alguns trechos da avenida exibiam vistosas casas noturnas, que prosperaram porque havia poucos prédios residenciais. Portanto, sem gente para reclamar da lei do silêncio ou da vizinhança.

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O que fazer para ressuscitar a Farrapos e vestí-la novamente com roupa decente, a exemplo de outras cidades que transformaram fantasmas em seres vivos? Um projeto a ser pensado e costurado com organismos internacionais e a iniciativa privada. Projeto para o qual faltam três coisas: visão, dinheiro e vontade política.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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