Hoje denominado Marista Rosário, o Colégio Rosário de Porto Alegre do meu tempo, completa 122 anos. Estudei lá em 1960. Tirando a inimiga disciplina de Matemática, tive bons momentos.
Fiz muitos amigos e guardo boas recordações dele e do entorno. Como entorno, entenda-se como a Praça Dom Sebastião com as cinco estátuas do chafariz que representavam os afluentes do Guaíba e a carrocinha do cachorro quente do Rosário.
As boas recordações hoje são fumaça. As estátuas estão na Hidráulica do Moinhos de Vento, protegidas da sanha predadora que virou moda em Porto Alegre – até mutilaram uma delas.
O cachorro quente continua lá, do lado oposto, mas não é mais o mesmo. É daqueles que vai de tudo e o tudo esconde o gosto do básico. O dos anos 1960 resumia-se a um pão d’água de 50 gramas, que nós chamamos cacetinho, salsicha de ótima qualidade e boa procedência, e um molho simples mas divino.
Eu podia matar para comer o mesmo cachorro quente daqueles anos, enquanto admirasse o chafariz cuja água saía da boca das cinco estátuas de mármore. Como pode uma cidade ficar tão destruida? Como pode um exército de destruidores e pichadores detonarem a cidade que tanto amei?