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Cinema de tribo

Há décadas, uma conversa com amigos sobre o cinema brasileiro chegou a amargas conclusões. Depois das chanchadas da Atlântida dos anos 1960, nunca mais conseguimos que o povão enchesse as salas. Além disso, a incapacidade de se sustentar pelas próprias pernas.

Foi quando um deles falou que ”o cinema brasileiro não tem muito a dizer no momento”. Pode ser, mas é por causa do vício de origem. Não conseguimos realmente atrair grande público. É de tribo para tribo.

 O cinema nacional teve seus momentos aqui e acolá, certo. Mas ficou mais de olho na ideologia e nos dramas sociais. Veio o oposto, com as chanchadas, comédias bobinhas entremeadas de música a cargo de grandes artistas nacionais.

Então vieram os anos 1960, e apareceu uma exceção, o cineasta Domingos de Oliveira, que nem brasileiro era, com Leila Diniz e Todas as Mulheres do Mundo, uma comédia urbana que fez enorme sucesso.

 Depois vieram os filmes-cabeça, exposição de dramas sociais e a estética da pobreza. Aqui e acolá foram feitos bons filmes, sucesso de crítica e público. Entretanto, nada de massa crítica que poderíamos chamar de “agora vai”, de encher as salas por dias.

Não foi.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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