Nos últimos tempos, venho insistindo que há uma aceleração da desobediência civil com reflexos na saúde mental e física da cidade e seus moradores. No caso de Porto Alegre, começo com o trânsito e vejo coisas assustadoras. Em parte, pela ausência dos fiscais de trânsito. Em outra, pelo individualismo atroz do gaúcho, exacerbado pela pandemia.
Na sexta passada, um carro ultrapassou outro na curva na esquina da 24 de Outubro com a Ramiro Barcelos, por dentro. E em seguida, cortou o fluxo à direita sem dar seta. Aqui é comum ultrapassar na curva, só um maluco ou desajustado lelé da cuca tem essa coragem.

Minutos depois, outro carro fez o mesmo na Júlio de Castilhos. Na sequência, um caminhão, com placas de Alvorada, saiu reto de um posto para entrar na avenida. É a consequência de anos sem fiscais na rua, um despautério que nem o órgão – como é mesmo o nome? …Ah, sim, a EPTC, consegue explicar.
Aliás, tentam. Órgãos da Prefeitura – nem todos, há belas exceções – dizem que é assim em outras grandes cidades do mundo, algo do tipo trânsito auto-regulável.
Misturam laranjas com bananas. Outras cidades do mundo não têm tanto maluco na direção como aqui.

A deformação de prioridades
Porto Alegre tem outras maluquices. Pedestres que atravessam a rua com sinal fechado fora da faixa de segurança, bikes de aplicativos de comida, à toda, em ruas de pedestres, como a Rua da Praia, motoboy driblando pedestres EM CIMA das calçadas – vide a subida da Garibaldi beeem em frente ao Hospital Materno Infantil Getúlio Vargas.
Minuto corretor
Foi digitar CURVA e ele grafou CUECA. Deve ser ideia fixa.
Maternidade de problemas
Não consigo mais copiar texto no meu celular. E olha que preciso disso para trabalhar. Agora, vem a parte louca: nem o Google, nem a Samsung conseguem resolver. Firmei convicção: cada novidade tecnológica carrega dois problemas paralelos que, com o tempo, criam outros quatro.
De mala e cuia
Li na previsão do tempo em um jornal local que o Alegrete faz divisa com o Uruguai. O que é a natureza.
Café
Sinto uma dor infinita/Pelas ruas de Porto Alegre/Onde jamais passarei jamais passarei, cantava o poeta Mário Quintana. Seguramente essa viela, ligação entre a avenida Independência e a rua André Puente, não deve ser conhecida até para o bairro. Uma acolhedora cafeteira diz alô para os passantes.
