Lua de mel para os porto-alegrenses até o início da década de 1970, quando as coisas começaram a degringolar paulatinamente, com o mundo parindo cada vez mais gente e má na mesma proporção, dividia-se conforme o tamanho da conta corrente.
Os muuuito ricos viajavam para a Europa ou Nova Iorque, os ricos iam para o Rio de Janeiro ou Buenos Aires. Rapaziada, vocês não têm ideia de como era a capital Argentina naqueles tempos. Pero, todo se fué.
Os sucessivos presidentes foram coveiros, na verdade. Também havia a opção Bariloche e Montevidéu. O Uruguai era conhecido como a Suíça brasileira. Paraíso fiscal de primeira. Também todo se fué.
A classe média baixa tinha poucas opções. Geralmente, para o Hotel Samuara, perto de Caxias.
O Hotel Casacurta de Garibaldi, porque nele morava um político famoso, era a salvação da lavoura. Ana Rech, também na Serra Gaúcha. Era tanto casal que ia para lá que os noivos a chamavam de cemitério das virgens.
Canela e Gramado eram opção para fugir do calor. Coube ao primeiro secretário de Turismo Walter Seabra convencer a hotelaria que eles tinham que vender inverno, mas com lareira e calendário.
E os pobres? Talvez a noite de núpcias em hotel de meia estrela com viés de baixa. Aliás, festa de casamento de classe média alta tinha que ser no Plazinha e, mais tarde, no São Rafael. Strogonoff e fricassê de galinha era prato de luxo, imagina.
O primeiro era chamado pela turma de baixa renda de guisadinho metido a besta. Mas essa já é outra história.
