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O ofício de furtar

Parques e equipamentos públicos de Porto Alegre sofrem constantemente com o furto de fios e cabos de energia. Pelo que li na ZH, em poucos anos os lalaus já levaram nove quilômetros. Não adianta prender os caras, eles estão na rua no dia seguinte. E mesmo pegando os receptadores, não é muito diferente. Nossa legislação favorece a arte de furtar e até arte de roubar, na qual se emprega violência

O crime compensa

As empresas autorizadas para operar com compra e venda de sucata seriam 30, mas as ilegais só em Porto Alegre são tantas que é difícil fiscalizar todas.  Esse é um dos dramas. O outro é o preço. Um quilo de cobre custa entre R$ 23 e R$ 35. Digamos que você tem um eficiente ladrão de cabos, que consiga 20 quilos por dia (ou de madrugada). Fazendo uma média de R$ 30 o quilo e roubando 20 quilos no turno, dá R$ 600 por dia. Em 30 dias, se você for um bom ladrão, dá R$ 18 mil. Mesmo reduzindo pela metade,  fica com R$ 9 mil. Quanta gente ganha isso com trabalho honesto?

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Então se ponham no lugar da gurizada. Claro que não acho bom que entrem nessa, mas um guri de 12 ou 15 anos receberam em poucas horas o que alguém de carteira assinada leva um mês para receber explica tudo. 

Mesma coisa com a gurizada que entrega drogas. Sendo “de menor” são pegos e soltos. E o tráfico lhes dá proteção, paga bem e projete suas famílias tanto da pobreza quanto da violência. Acredite, para quem mora numa vila QG do crime e presta serviços ao tráfico mora no lugar mais seguro do mundo, desde que fique como soldadinho comum e não se meta a ser membro ativo do negócio.

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Vez por outra alguém acaba com uma dúzia de balas na cabeça, mas é pouco diante do exército que ganha um bom dinheiro e fica bem até o ano que vem.

De forma que o crime compensa. Não vá atrás da lorota que ele não compensa e muito menos de que não existe crime perfeito. Os perfeitos simplesmente não são descobertos, então não entram nas estatísticas. A taxa de resolução de homicídios de uma polícia eficiente nos Estados Unidos é menos da metade.

Trabalho honesto paga pouco, come sua saúde e a aposentadoria não dá nem para comer dignamente. Digamos que você queira ser empreendedor. É difícil abrir uma empresa com essa burocracia, tem que pagar uma montanha de impostos, alugar sala ou casa, ter pelo menos um funcionário ou secretária, e está sujeito a processos sobre problemas sobre os quais não têm nenhum controle. No crime, não precisa nada disso. Muito menos vai para o SPC ou Serasa.

Dia nacional do Futebol

O dia que homenageia o antigamente chamado ludopedio em português. Castigo foi inventado para dar emprego a quem fala ou escreve horas  até dias seguidos sobre uma simples jogada.

O sumiço da menina

Existe algo a ser melhorado explicado nessa questão de mudanças climáticas. Que as há, as há, mas até a recente estiagem no Rio Grande do Sul é atribuída à ação humana. Mas então Lá Niña e El Niño sofreram impeachment ou algo do gênero?

Desde as enchentes de 1982/3, passamos a saber dessa ação de esfriamento das águas do Pacífico, causa da seca e chuva excessiva quando entra o irmão da guria. Então essa condição que já era conhecida pelos povos andinos há milhares de anos  não vale mais, por supuesto.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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