Consiste em criar um universo virtual que, ao longo do tempo, passará a ser moradia de fato, e a realidade será virtual. É o mundo perfeito.

Nem o próprio Walt Disney conseguiria fazer um desenho animado melhor. De certa forma, o antecessor do metaverso foi o desenho animado. A engenhosidade deles foi a criação de máscaras e roupas imitando os heróis do desenho.
A vantagem do metaverso é que nele ninguém morre nem se machuca ou perde dinheiro real. Deve ser o universo paralelo sem sair do universo real. Pode fazer de conta que está na empresa faturando os tubos sem o menor risco de se dar mal. Startup no metaverso não quebra.

Essa mania da mídia de repetir expressões da moda denota pobreza de repertório. Quando não se tem um estoque regulador de palavras, apela-se para as da moda. Agem como papagaios que aprenderam a falar algumas palavras, mas não têm memória nem leitura para ampliar seu universo semântico.
Interessante é observar que, em décadas passadas, essas palavras da moda eram linguagem de tribos, ou de profissões. Aqueles em que os personagens usam para nos mandar um recado indireto de como somos limitados e quão longe estamos deles, os sabidos. E mais interessante ainda é que à medida em que o hábito de leitura foi diminuindo mais elas foram criadas. De novo, causa e efeito.
Não à toa que, na segunda metade dos anos 1970, criaram o “veja bem”, aplicado em qualquer início de frase ou resposta a alguma pergunta. Acho que foram os executivos paulistas os pioneiros – na época, viajava bastante para a pauliceia desvairada.
Imaginava uma cirurgia com um cirurgião dizendo para outro “veja bem”. Ou um paraquedista cujo paraquedas não abriu para si mesmo “veja bem”. Claro, será a última visão.
Outra infame expressão foi criada pela esquerda nos anos 1990: “a nível de”. Ela era contagiosa, e até o mundo executivo passou a usá-la a torto e a direito.
Não deram nem mesmo chance ao correto “em nível de”. “A” era mais fashion. Os sindicalistas então, meu Deus, eram campeões junto com suas excelências parlamentares de esquerda.
Nestes mesmos anos, um grande amigo meu, Gil Villeroy, contou uma boa. Ele morava em prédio do bairro Teresópolis em cujo térreo ficava uma agência do Banrisul. Certa manhã, ouviu uma gritaria e palavras de ordem vindas de grande número de pessoas na rua. Mas não deu bola.
Horas mais tarde, saiu e foi direto à agência tirar dinheiro. Inútil. Estava deserta e fechada. Na porta, um vigilante do banco.
Gil perguntou a ele o que se passava, porque estava fechada. O guarda se empertigou todo.
– É que o pessoal está a nível de greve.