O Baiano era uma espécie de executivo da Mesa Um do Bar e Rotisserie Pelotense, na rua Riachuelo – entre Borges de Medeiros e Praça da Matriz. Pequenino e franzino, descontava cheques, pagava contas, levava recados sigilosos, enfim, pau para toda obra. Até telefonava para a patroa de alguém da roda informando que o chefe o queria para uma reunião que iria até noite alta. Recebia boas gorjetas por tão espinhoso cargo.
Na época, anos 1970, o Porto de Porto Alegre ainda operava. Chegada de navio era uma festa, porque a tripulação vendia, por preços baixíssimos, isqueiros, uísques escoceses, perfumes caros e champanhe francesa.
Certo dia, alguém pediu que ele fosse ao Porto e buscasse uísque importado. Enquanto o Baiano não voltava, alguém da roda precisou comprar algo no Comes & Bebes, loja de conveniência de ponta. Deparou-se com o Baiano comprando scotch, que custava três vezes mais que o vendido pelos marinheiros.
Se existisse o Guiness de Recordes naquele tempo, Baiano entraria na história por mudar um navio do cais para uma rua a cinco quadras de distância e ancorá-lo no seco.
