Search

O Porto do Baiano

O Baiano era uma espécie de executivo da Mesa Um do Bar e Rotisserie Pelotense, na rua Riachuelo – entre Borges de Medeiros e Praça da Matriz. Pequenino e franzino, descontava cheques, pagava contas, levava recados sigilosos, enfim, pau para toda obra. Até telefonava para a patroa de alguém da roda informando que o chefe o queria para uma reunião que iria até noite alta. Recebia boas gorjetas por tão espinhoso cargo.

    Na época, anos 1970, o Porto de Porto Alegre ainda operava. Chegada de navio era uma festa, porque a tripulação vendia, por preços baixíssimos, isqueiros, uísques escoceses, perfumes caros e champanhe francesa.

    Certo dia, alguém pediu que ele fosse ao Porto e buscasse uísque importado. Enquanto o Baiano não voltava, alguém da roda precisou comprar algo no Comes & Bebes, loja de conveniência de ponta. Deparou-se com o Baiano comprando scotch, que custava três vezes mais que o vendido pelos marinheiros.

   Se existisse o Guiness de Recordes naquele tempo, Baiano entraria na história por mudar um navio do cais para uma rua a cinco quadras de distância e ancorá-lo no seco.

 https://www.brde.com.br/

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

Deixe sua opinião

Publicidade

Publicidade