No futuro, os historiadores vão estranhar que as singelas seringas tenham despertado tanta fúria contra o governo. Tem uma questão de logística, uma palavra simples que oculta uma complexa operação, nem sempre entendida pela população. Mas é um problema mundial. A manchete de ontem do jornal francês Le Monde foi justamente essa.
Lá também está sendo um problema sério, mas a diferença é que a imprensa francesa primeiro analisa o problema para depois emitir opinião, exatamente o contrário da imprensa brasileira, em boa parte.
O ESPIRITO DA COISA
Quando a expressão logística passou a ser usada a torto e a direito, o leitor comum tinha alguma dificuldade em entendê-la. Por esta época, peguei um táxi na frente do Jornal do Comércio quando o motora se virou para mim.
– O senhor que é jornalista, pode me explicar o que é logística?
Como diabos vou traduzir isso para o cara? Elaborei uma explicação partindo do princípio quando ele me interrompeu.
– Já entendi. Logística é frete!
Não é só isso, mas o cara entendeu o espírito da coisa.
OS PROBLEMAS DO MERCADO
Os 103 permissionários do Mercado Público de Porto Alegre estão analisando com engenheiros como fazer as reformas necessárias do espaço. Primeiro falou-se em R$ 15 milhões, mas pode ser feito em etapas. A primeira é dar um jeito nos altos do Mercado, o que não será fácil. Há espaço para restaurante e até área para eventos, mas não existe infraestrutura.
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Primeiro não existe energia, terão que botar um transformador que custa uma babilônia de dinheiro. Tem que dar acessibilidade, incluindo um elevador. Na parte de baixo, o esgoto corre debaixo dos corredores, instalados há décadas canalizados com pedras de grês. O lixo sempre foi outro problema.
Os permissionários querem bancar as obras, talvez criando um fundo especial. Problema: nem todos podem pagar, algumas bancas faturam muito pouco.
A SALVAÇÃO QUE VEM DO CÉU
Com a enorme área do telhado, a geração de energia fotovoltaica alimentaria todo o Mercado e ainda sobraria para vender parte para a CEEE.
