Antes do advento das urnas eletrônicas, as fraudes corriam soltas em algumas cidades do interior gaúcho. Era fácil burlar a fiscalização e difícil evitar cédulas enxertadas, desde que fosse feito com cuidado. Pois foi numa dessas cidades em que bebês recebem um 38 antes da mamadeira que se deu esse causo.
O prefeito que disputava a reeleição era um coronel dos Provisórios da Revolução de 1923. Abertas as urnas, a contagem favoreceu seu adversário, que era bom de voto, mas ruim de tiro. Sabedor disso, o coronel mandou buscar as urnas da eleição passada que ainda estavam recheadas com os santinhos que lhe deram a vitória, e mandou recontar. Claro que ganhou. E justificou.
– Urna antiga é melhor que nova. Não dá para fraudar.
Alguém até tentou contestar, mas o 44 no cinto do coronel falava mais alto, embora de momento estivesse silencioso.