Depois de quase três meses debaixo do teto do lar já da para fazer um apanhado de certezas. Ninguém ou quase ninguém suporta mais ouvir falar da covid-19, parte considerável torce o nariz para o que chamam de carregar nas tintas de parte da mídia, entre 30% a 50% acham que culpamos Bolsonaro além do razoável. A pandemia também aumentou consideravelmente sua antipatia para determinadas redes de TV e jornais.
REGULAR E IRREGULAR
Essa realidade nem sempre é mensurável por pesquisas. Sentimentos às vezes ficam guardados e, eventualmente, sua tradução exterior pode se dar por olhares e narizes torcidos. E aquela zona cinza que fica abaixo da superfície, a mesma zona cinza que permeia pesquisas de aprovação de governo. No caso Daquele Que Não Se Ajuda, o “regular” no mínimo não significa rejeição total, ou “desaprovam”.
AS RUAS MUDAS
O silêncio (ou barulho) se expressa nas redes sociais, mas dificilmente substitui o clamor das ruas. Já era assim antes da pandemia. Pode ser cansaço pelo fato do Brasil ser mais do mesmo e também pela ideologização de tudo.
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Carro é de direita, bike é de esquerda; eucalipto é de direita, figueira nativa é de esquerda; fast food é de direita, comida saudável é de esquerda. E assim vai a sociedade brasileira se enfiando em bretes que levam a becos sem saída.
MUDA O DISCO
Quando ninguém mais dá bola para números ou curvas ou percentuais da doença, é sinal que a sociedade já acha que o malvado veio para ficar ou, como dito lá em cima, está porrr aqui com o vírus. O que o povo quer é normalidade, mesmo sabendo que ela está mais longe que ganhar a Mega Sena acumulada.
CONSERTOS EM GERAL
O que o povo faz com os R$ 600,00 que ganhou do governo? Além de comprar comida, o que sobra vai para melhoramentos domésticos. Vale também para a classe media. Com o convívio familiar forçado, os equipamentos caseiros se desgastam rapidamente.
É a torneira que vaza, as lâmpadas que queimam mais rápido, a janela que trinca, coisas simples mas que demandam conserto ou substituição. Sem falar nos que adoram mexer com chaves de fenda ou furadeiras. É o lado carpinteiro-hidráulico das pessoas. Por isso, lojas de artigos de construção civil devem estar vendendo bem.
Imagem: Freepik
