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A estridência dos outros

Quem não é iniciado e não tem acesso a fontes primários e se atem às manchetes e artigos dos grandes jornais, labora em equívoco ao achar que o governo Bolsonaro está em cacos. Muito pelo contrário. O que existe é um meio tempo causado pela recuperação do presidente. Por enquanto, há rusgas e estranhamentos, mas nada que indique que a nau vai a pique. Bolsonaro esteve fora, e sabemos quanto é desconfortável o uso da bolsa que o paciente aguentou.

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O general de fala mansa

O sempre lúcido jornalista Carlos Brickmann, do blog chumbogordo.com.br comentou esse assunto na sua newsletter. Eis um trecho.

Que ninguém se iluda: não há divergência séria entre Bolsonaro e o vice. Há divergências entre os filhos de Bolsonaro e o vice; mas alguém me disse que essas divergências, embora continuem a existir, serão dia a dia menos barulhentas. Olavo de Carvalho, ideólogo de boa parte do Governo, autor da indicação de pelo menos dois ministros, Educação e Relações Exteriores, da total confiança de Eduardo Bolsonaro, tem seguidores e já abriu fogo contra o vice Mourão. Olavo é ouvido. Mas muito mais ouvido do que ele é um ministro que fala baixo, porém silencia as estridências de outros: o general Augusto Heleno, respeitadíssimo, principal contato de Bolsonaro com as Forças Armadas. Augusto Heleno, por sua força, evita ao máximo os conflitos abertos. Mas, em caso de divergência, é ele que ganha.

Brickmann aduz que Heleno tem excelentes relações com Mourão e Bolsonaro. À minha maneira, sinto-me tentado a dizer que ele é o Cardeal Richilieu ou Golbery do Couto e Silva, mas ainda é cedo para dizer. Levará um bom tempo para cristalizar opinião.

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Os surdinhos

Nossa mídia fala pouco no general Augusto Heleno. Natural, porque ele não fica disparando palavras ao vento que muitos veículos catapultam para furacões. Além disso, a mídia é bastante surda. Quando alguém fala baixo, ela não escuta. Mas ontem o Chefe do Gabinete de Segurança Institucional falou sobre a acusação de monitoramento do clero progressista da Igreja Católica. Foi curto e grosso sobre a possibilidade de ser convidado a dar explicações na Câmara dos Deputados: “Se fosse convidado, não. Se for convocado, sou obrigado a ir”.

Males do fígado

Uma coisa aprendi na minha vida: pensar com o fígado é ruim, muito ruim. E boa parte dos meus colegas e seus respectivos patrões – que, aliás, repito, há muito tempo perderam o controle das redações – estão exatamente fazendo isso. O resultado é derrame de bílis. Ou é bílis ideológica, ou causado pelo temor de perdas financeiras por medidas que Bolsonaro pode ou poderá causar.

Possibilidade

Não é de duvidar que na edição desta quinta-feira algum jornal gaúcho coloque uma chamada do tipo “Bibi Ferreira se encontra com Edith Piaf”, por aí.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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