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Tudo em uma palavra

Certo dia dos anos 1970, a equipe de criação de uma agência de propaganda de Porto Alegre se reuniu para ver qual seria o apelo criativo de queima de estoque de um cliente do varejo. Os anúncios estáticos da TV, chamados tabletop, e as páginas dos jornais teriam que ter uma chamada forte. E, depois, ilustrações com os produtos e respectivos preços e condições de financiamento daquela época, início dos anos 1970.

– Liquidação ainda funciona – disse o redator. – Não tem muito que inventar.

– Que coisa mais bisonha – falou o dono da agência. – Vocês chamam isso de criativo?

– Remarcação é velho, mas para chamar atenção vale. Não muito que inventar, chefe.

O chefe virou uma arara.

– Qui…bobagem. É pra isso que eu te pago? – disse o patrão revirando os olhos.

– Promoção? – arriscou o tímido da equipe.

– Outro que só diz besteira – falou o diretor à beira de um colapso nervoso.

– Se o negócio é vender, não vejo como fugir de uma chamada forte usando este verbo ou derivado dele.

– Meu Deus – balbuciou a chefia.

Um filete de espuma escorria pelo canto da boca. Foi nesta hora que o último dos moicanos estalou os dedos.

– Que tal liquiremarcapromovendação?

Palmas gerais. O cliente adorou.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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