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Um trem sem maquinista

Vocês são muito pessimistas. Só vocês não estão vendo que a situação não é tão ruim assim. Ao contrário, todos os indicadores negativos são pontuais, influenciados por aspectos sazonais. Como é que pode alguém não enxergar algo bem na frente do seus narizes que até quase para apalpar. Acordem!

Estas e outros lugares-comuns dignos do Doutor Pangloss, aquele personagem que via o mundo e a vida cor-de-rosa, eram repetidos ad nauseam para os jornalistas de opinião no ano passado, quando a nau começou a apresentar rachaduras no caso.

Muitos de nós temos cabelos brancos tingidos pela experiência e porque fazemos o mais simples exercício aritmético 2+2, que só não dá 4 quando se trata de porcentuais somados, e falo de realideds que saltavam aos olhos.

Não foi tripudiar. Cinco trimestres de economia no vermelho e agora o IBGE anunciando queda do PIB de 1,9 pp no segundo trimestre com previsão de queda em 2015 de 2,5%. É de dar pesadelo. Não sequei e não seco, apenas vi um pouco além do jardim, eu e meus colegas.

A desgraça social, moral e econômica é uma composição com muitos vagões, nenhum deles carregado de coisas boas e saudáveis. O primeiro vagão atrás da locomotiva está cheio até as bordas de desemprego. A única coisa que nos resta é rezar para que o trem não descarrile.

Ai de nós.

 

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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