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Tempos felizes e infelizes

A toda hora, alguém diz que a vida nos anos 1950 ao início dos 70 era mais tranquila e a natureza não gerava tanto caos. Só que não.

Primeiro porque o planeta era menos povoado. Portanto, menos povos eram castigados. Segundo, as comunicações eram mínimas. Não havia satélites meteorológicos nem sismógrafos em regiões remotas ou uma central de terremotos e tsunamis.

Ligações telefônicas levavam dias. As estradas eram péssimas, salvo nos perímetros urbanos. Por isso que o povo era mais feliz ou menos apavorado em termos de eventos extremos.  

www.brde.com.br

Hoje, um sismo mixuruca na caótica Burkina Faso, na África Central, chega nas redações e TV em minutos. Isso quando não levam apenas segundos.

Todavia, como vivi aqueles anos, concordo que éramos menos preocupados com as malcriações da natureza. Em comparação com hoje, vivíamos em câmera lenta.

Não raro me ponho a pensar achando que, de fato, éramos mais felizes se comparados com hoje. E esse é um grande problema – na época não tínhamos como cotejar.

O futuro era uma incógnita. Isso posto, vamos aos estágios de eventos extremos, sejam eles enchentes, terremotos, tsunamis ou atividade vulcânica.

Os estágios da dor

Tendo como âncora as enchentes no Rio Grande do Sul – foram três em oito meses – a primeira fase é da solidariedade, voluntariado, resgate. Corações aflitos querem ajudar, mas não sabem como.

https://cnabrasil.org.br/senar

Quando as águas baixam, já há um cansaço nas entidades, nos policiais e voluntários. As doações seguem em ritmo mais lento.

O passo seguinte é lamber as feridas, limpar a lama, ver o que sobrou e como recomeçar. É tão cruel quanto os alagamentos.

Nem preciso falar sobre mortes, perdas de toda ordem, inclusive de animais de estimação e de sustento, e os pets, o que deixa as crianças dolorosamente infelizes. Também vêm os assaltos, arrombamentos, os golpes, o furto de doações, o inferno do tráfico.

Agora, em Porto Alegre, estamos no meio termo. Esperando o Guaíba baixar de vez, e sem repique, porque vem chuva pesada hoje.

E, com a cidade cheia de lama, chegam as doenças, Começando pelas respiratórias. A leptospirose vinda da urina do rato é a segunda. Ainda podemos ter cólera e a temível bactéria Listeria, doença silenciosa que causa infertilidade nas mulheres.

A reconstrução propriamente dita e a adaptação à nova realidade são as últimas. Mas, como dizem os americanos, the last but not the least. Ou seja, a última, mas não necessariamente a última.  

Pensamento do Dias

“Quando um espertinho acordar, cinco otários já estão na rua.”

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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