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Tempos bicudos

Por falta de roteiros originais, o cinemão vem refilmando filmes clássicos. Situação que piora a cada ano que passa porque não aparecem mais roteiros originais, só arquétipos com a mesma estrutura e soluções, a redenção, a volta por cima, mocinho e bandido, injustiçados que levam a melhor no fim.

A dramaturga Janete Clair dizia que, em novelas, era sempre mais do mesmo, mas com cenas obrigatórias para ter sucesso. Por exemplo, a mocinha tem que beijar o homem com quem ficaria no fim da novela nos primeiros cinco capítulos, caso contrário a trama não empolgaria o telespectador.

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A mesmice se repete até com atrocidades cinematográficas como zumbis, eternamente à procura de cérebros para comer. E olha que faz tempo. Embora vampiros, zumbis e múmias vivas sejam uma constante no cinema e literatura, por causa do fascínio pela vida eterna que prometiam.

O diretor George Romero inaugurou a zumbilândia com o filme Os Mortos Vivos, de 1968. Ironicamente, ele foi profético, porque hoje boa parte da população se comporta como um, começando por não ter cérebros. Estudam mal, entendem mal, trabalham mal. Só não comem cérebros (ainda).

De algumas décadas para cá, a população destes zumbis da vida real tem se multiplicado velozmente. Alguns são facilmente identificáveis quando nos estágios iniciais da doença.

Não sabem nem somar 2 + 2 sem calculadora de celular, sabem fazer tarefas diárias simples desde que sejam sempre as mesmas, como escovar os dentes, escrever o nome em teclado – com caneta já é mais difícil. Não é culpa deles, esclareço, são vítimas da sociedade como se dizia nos anos 1960.

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O interessante é que zumbis são muito procurados e até estimulados a ficar sem cérebro por alguns partidos políticos. Especialmente os que se apoiam na “massa” facilmente cooptadas por miragens como Revolução, um ser invisível que confere a quem a delineia como redenção.

Todo poder ao povo, desde que o povo não se meta com o poder, eis a advertência. Mas que não se tema essa situação. Quanto mais zumbi ele é, mais lutará para permanecer na mesma situação.

Não é difícil encontrar um zumbi com poder aquisitivo maior. Até mesmo na classe dominante, em colégios e universidades. O vírus foi neles injetado na adolescência ou nos primeiros anos na escola. Mesmo com canudo, os zumbis brasileiros são muito eficientes na árdua tarefa de não entender nada do mundo real.

Voltando à vaca morta  

Filmes com roteiros realmente originais fascinam o espectador, como O Feitiço do Tempo; Um Convidado Bem Trapalhão, com o inesquecível Peter Sellers; Forrest Gump, com Tom Hanks e dirigido por Walter Hill – aliás, esse tem que ser visto de novo. É um belíssimo filme – e um dos meus grandes favoritos. Muito Além do Jardim (The Gardiner), também como Peter Sellers, um dos mais versáteis atores de todos os tempos.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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