Search
Search

Secos e molhados

Com o tempo, muitos restaurantes e churrascarias atingidas pela enchente voltam ao normal. No Centro Histórico de Porto Alegre, os que estavam na parte alta escaparam. Embora com praticamente toda a área sem transeuntes e com escritórios e repartições públicas sem acesso.

Daí que, mesmo querendo abrir, a chance de pelo menos empatar receita-despesa era mínima. Sem falar que, nos últimos 10 anos, havia poucas operações de alta eficiência, no sentido de comida boa a la carte.

Entre os secos estava o Atelier das Massas, na rua Riachuelo, que, para mim e muita gente boa, é a melhor casa de massas da capital gaúcha. Outros ficaram inundados, como o Gambrinus, Naval e Restaurante Berna, no prédio da Associação Comercial.

Gente da noite

O dono do histórico Gambrinus, no Mercado Público, já falou que pode não reabrir. Isso devido ao alto custo da reconstrução e reposição de equipamento de copa e cozinha, que ele estima em R$ 1 milhão.

O Mercado já teve casas de reputação nacional, como o Treviso, que ficava aberto 24 horas com intervalo para a limpeza, abrigo de notívagos e gente da noite. Passei muitos bons momentos na casa, maioria acompanhado das damas da noite.

https://lp.banrisul.com.br/bdg/link/reconstruir-rs.html?utm_source=fernando_albrechtutm_medium=patrocinio&utm_campaign=conta_pj_reconstruir&utm_term=visibilidade&utm_content=escala_600x90px

Como na música brega-chique “A boate Azul”, que a alturas tantas diz “as mulheres da noite já se foram dormir”. Nunca mais achei um Picadinho à Maria Luiza como no Gambrinus, carne com ovos, nunca por mais que eu procure. Um dos sócios foi da equipe de seguranças de Getúlio Vargas

O reinado do PF

A Rua dos Andradas se dividiu em duas, a parte que começa na rua Caldas Júnior em direção ao bairro e desta rua até o início, perto dos quartéis. Estas quadras tinham muita vida, com duas ou três operações acima da média.

É preciso entender que os bufês de comida a quilo e a la minuta atraem muitos funcionários públicos que trabalham no centro e ruas do entorno, boa parte com vale-refeição. Entre eles, destaco a Rossi, especialista em PF de a la minuta, preço acessível. No entanto, superior aos PFs comuns.

De Veneza para Porto Alegre

Nas últimas décadas todo a área central entrou em decadência. Parte porque a classe média foi expulsa pelos camelôs e ambulantes que não ambulam, processo que começou nos anos 1990.

https://cnabrasil.org.br/senar

Não falo apenas de operações gastronômicas. Mas do comércio de luxo que fez a glória da Rua dos Andradas no passado.

Para falar em apenas em uma casa, destaco a Casa Lyra, que lançava perfumes franceses na mesma semana em que eram lançados em Paris. Lojas de roupas masculinas como Kirk e Taft atraíam minha geração, com produtos de qualidade.

Também tinha os excelentes bares de hotéis, como o do Plazinha e o Tiffany ‘s, do Alfred Porto Alegre, cuja decoração foi baseada no Harry’ s Bar de Veneza.

O terror dos vampiros

Não sei o que vai sobrar do Centro. O próprio prefeito Sebastião Melo já falou antes da enchente que tentou revivê-lo, mas sem sucesso.

Agora com a neura da inundação, ficou impossível até no longo prazo. Ainda mais que, após as 20h, ele fica deserto e perigoso, por assim dizer. É um bairro essencialmente diurno. Vampiro detesta o Centro.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

Deixe sua opinião

Publicidade

Publicidade

espaço livre