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Rússia

O Viajando é lido e tem contribuição de muita gente, mas falta alguém com contatos, e das pessoas que conheço, só a Carmen. Não falo da tia Carmen, mas da minha amiga e ex-assistente que é paranormal. Se ainda trabalhasse comigo teria me dito: “Flavio, não vá agora para, a primavera europeia vai atrasar etc etc”. E teria razão.

Chegamos a Copenhagen dia 12 de maio com 2 graus abaixo às quatro horas da tarde. Nada assustador, mas inesperado.
Ali planejamos a nossa viagem de ferry e ônibus interurbano. Ferry entre a Dinamarca, Suécia, Finlândia e São Petersburgo, que eu às vezes tenho uma recaída e chamo de Leningrad, pois as duas vezes que eu ali havia estado, ainda estava sob a antiga direção e uma delas para mim foi inesquecível. De trem e com toda documentação em dia e sem transportar armas, drogas bombas ou qualquer ilícito….fui detido por entrar no país com uma perigosa revista, a “News Week”, com algumas palavras sublinhadas, como faço até hoje para não interromper a leitura e procurar no “amansa burro” mais tarde.

Pois bem, acharam que era um código, pois eu sublinhava com uma caneta de várias cores, rapidamente interrogado em Russo e em um idioma que o camaradsky achava que era francês, eu não tinha o que responder. Fui trocado de compartimento no meio da noite e colocado em uma cabine/cela com grades na janela. Eu na época nem sabia que o Soljenítsin existia, mas já me imaginava com ele na Sibéria. Brrrrrrrr!

Não agora, mas reencontrei um dia o companheiro de viagem, Henry Pepper, professor das escolas de Montesouri e damos boas risadas. Ele conhecido na viagem e totalmente apavorado ao me ver entrar numa limusine e desaparecer numa Leningrad de 10 graus abaixo de zero.

*É claro que tudo isso ficou bem fácil nesta viagem, mais ou menos 40 anos depois. Os antigos líderes foram substituídos e o clima frio, mas com céu azul, depois de uma boa janta íamos para o hotel.
Ei! Vocês! Gritam para nós em inglês, eram uns rapazes e moças fantasiadas numa praça, ou melhor, um lago praticamente com árvores e as que tem ali, estavam ainda sem folhas; o verão não chegara. Era uma festa, uma preparação para o início das noites brancas, e o que foi a nossa chegada naquela manhã.

O Ferry, um Ferry comum, desde a Finlândia vinha quebrando o gelo. Onde chegamos agora, novamente São Petesburgo, que por uns 50 anos foi Leningrad, aliás minhas duas visitas anteriores haviam sido com este nome intermediário. E agora novamente como San Petersburg, espero que para sempre. Pois lendo sobre o que passaram, merecem o resto da existência sem conflitos. Dentro de algum tempo iniciava-se o verão e eles, os jovens, já estavam se preparando.

A temporada das noites brancas de verdade é o início do verão oficial, quando o sol quase não se põe naquela latitude, os moradores dão adeus à tristeza do inverno e festejam todas as noites, e a noite toda. É bonito ver os jovens e o reflexo da lua nos canais e na superfície do Neva.

Os mais fluentes em inglês ou francês, dizem que eles comemoram o verão todas as noites. E perto da meia noite se ouve: dez, nove, oito… e quando os ponteiros se juntam, rolhas de champanhe vão para o ar. Todos ficam próximos a umas mesas colocadas em frente ao bar que estávamos.

Neste momento, uma atendente que conhece a todos vai anotando os pedidos e nos diz: é um lugar especial, aqui a noite é mística. Não há outro lugar igual na Rússia. Outra garçonete que chega perto de nós já vem dizendo: estão gostando? É sua primeira vez aqui? Ela anota o nosso pedido e fala: vocês têm sorte! Não há lugar igual na Rússia.

Ficamos ali até mais ou menos uma hora da manhã, nosso hotel era na mesma rua e chegamos fácil. Na entrada olhamos o termômetro, menos 4 graus. Só então sentimos frio… e era o início da Primavera, segunda semana de maio. Enquanto esperávamos o Concierge, abri a porta, grupos passavam alegres em direção ao lago onde estávamos. Iam se juntar aos amigos. Realmente começavam as noites brancas.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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