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Quando bate a saudade

Na minha imaginação, posto-me no meio do Largo Glênio Peres e olho para a fachada, que sei de cor e salteado desde minha a minha adolescência, o Mercado Público Central de Porto Alegre. Quando verei o portão central escancarado com suas barras de ferro como se estivessem me abraçando, e em cima dele o velho relógio parado gritando “bem vindo, a casa é sua!”?

Mercado público de Porto Alegre pode ser privatizado pelo prefeito
Foto: Joel Vargas/PMPA

Quando voltarei  ter dois dedos de prosa com meu amigo do Havana? Quando entrarei novamente na Padaria Copacabana, com seu Fernandes fazendo aquele gesto de “entre”? Quando comerei os pastéis e o enorme mil-folhas?

Quando comprarei embalagens de isopor e pratos de papelão ou plásticos do Martini? Viro-me para o lado oposto e vejo uma das duas lojas do Café do Mercado, onde quase que diariamente tomo um cafezinho amigo ouvindo as últimas das atendentes.

Antes de entrar de vez, faço uma aposta na Mega Sena com atendentes que conheço e elas me conhecem. Pouco adiante, na quebrada do mundaréu do Mercado, olho para o Restaurante Naval, que teve um passado glorioso e complicado quando era bar da pesada. Naquela época, o pau comia solto entre marinheiros inundados por cachaça e cerveja. Depois, regenerou-se, virando restaurante com o camarão de que tanto gosto.

Alguns passos adiante, vejo o garçom Zezinho, o último samurai de Hulha Negra, abrindo os braços e contando piadinhas. Dentre elas, a salada de batata com bacalhau “o bacalhau é nacional, mas a batata é inglesa…”.

Dirijo-me ao centro democrático onde está enterrado um Bará que salvou o Mercado de poucas e boas e salvará novamente. Deparo-me  com as bancas 18, 43, do Holandês, onde compro frios e queijos, a Banca 40 dos sorvetes.

Os açougues, a banca que vende produtos naturais, a fruteira, os vendedores de ervas e hortaliças. Todas estas imagens estão em volta do meu coração.

E quando o dia glorioso de reabertura acontecer, postar-me-ei novamente no Largo e gritarei o grito travado no meu peito nestes dias inundados.

    – Mercado meu querido, eu estava com uma saudade danada de você!

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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