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Palcos desertos

A falta de novos talentos acompanha a queda brutal do acervo cultural da população, principalmente a mais jovem. O declínio da leitura e déficit de cultura geral impedem que tenhamos uma massa crítica de autores e público capaz de entender – e exigir – não só programas de humor, como em outras artes cênicas.

Em contraponto, cidades europeias, como Londres, têm teatros cheios, talk shows na TV. Há quanto tempo o nosso Theatro São Pedro não apresenta uma peça clássica, de autores como Shakespeare & Cia? Recentemente, levou “Esperando Godot”, de Samuel Beckett, uma exceção.

Não que seja culpa dos administradores. Geralmente, pessoas que sentem a mesma tristeza minha de ver o estoque cultural ir para o ralo.

O Brasil todo tem esse déficit. Já tivemos grupos de teatro que encenavam peças clássicas que o público gostava de ver. Mesmo em Porto Alegre, o 4o Distrito tinha seu próprio grupo, o Grupo dos 16. 

Cidades como Itaqui (RS) ergueram teatros com arquitetura de fama internacional, o Teatro Prezewodowski. Quem dos urbanos modernos já ouviu falar nele?

E olha que já fomos bons. Rio De Janeiro e São Paulo lotavam as casas com peças de alta qualidade. Hoje, a palavra “dramaturgo” é desconhecida entre os mais novos e até de boa parte dos maduros.

Comédias ligeiras eram encenadas. Sem falar no teatro de revista. Mas essas já eram apelação com espetáculos de nome dúbio, tipo “Tem pixixi no pixoxó”, coisa de última.

O Brasil viveu a febre das radionovelas antes que a televisão descobrisse o filão das telenovelas. Não se pode esquecer que a TV brasileira é filha do rádio, enquanto a TV americana é filha do cinema de Hollywood, anos 1950, que já teve pelo menos 50 obras-primas. Então pularam etapas.

Nos anos 1990, houve uma febre de “releituras” de peças clássicas, como as de Brecht, Shakespeare entre outros. Uma delas recriou Hamlet. Por acaso encontrei o autor, e perguntei a ele porque fazíamos releituras, se a maioria esmagadora do povo brasileiro sequer tinha feito a leitura.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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