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Os três pontinhos

Uma das mais notáveis diferença entre o português de Portugal e o nosso é que o de lá não tem subtexto. Por isso tem poucos filósofos, talvez o Spinoza seja a exceção. Mas eles acabam se entendendo. Ocorre que, por motivos outros, o brasileiro também deixou de ter subtexto, cria direta do baixo estoque cultural.

Estava eu ontem na academia ouvindo alguém da rouparia comentando a ação da Polícia Federal na residência do deputado Eduardo Cunha, culminando com a frase carregada de ironia que chegava a transbordar “coitadinho do Cuinha…” Cheguei a ouvir os três pontinhos.

Um desses armários pré-fabricados saiu molhado do box do chuveiro e começou a vociferar contra o coitado. Coitado porra nenhuma, esbravejava, como é que tu pode achar que um cara como o Cunha é coitado?

Como isso virou praga zumbi, é bom sempre carregar três pontinhos na carteira. Eu os detesto, mas tem gente que só capta ironia com eles. Mesmo assim, é perigo igual. Tem gente que é analfabeto em três pontinhos.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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