Essa do menino que matou uma cobra a dentadas fez-me lembrar os desvarios gaúchos em matéria de proezas, como escrevo aí no Notas. Houve tempo em que dizíamos ser comum na Fronteira comer erva e depois beber água quase fervente caso não houvesse uma cuia para sorver o amargo.
Já mistura de cachaça – que no passado era chamada de canguara entre outros apelidos – com chimarrão não é nem incomum e muito menos recente. Aconteceu em 1967, em um churrasco na casa do Betão Grecco Soares, no bairro Ipanema, Porto Alegre. Quando a carne já estava quase no ponto, apareceu um retardatário, hoje desembargador, um tanto quanto adernado por sinal.
Pediu um mate. Alguém passou a cuia e por acaso fiquei olhando para ele quando sorvia a bebida. Antes mesmo da cuia roncar, o futuro homem das vestes talares começou a ficar com um ar estranho. Pediu mais um e, em seguida, outro. Seu rosto começou a mudar de cor e sem mais nem menos ele desabou mais esparramado do que tapete de couro de boi.
Pra encurtar o causo, alguém colocou cachaça em vez de água na chaleira. Como falei, a mistura de canha com mate não é incomum, mas um dentro do outro era novidade para mim.
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