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Os estragos do chimarrão

  Essa do menino que matou uma cobra a dentadas fez-me lembrar os desvarios gaúchos em matéria de proezas, como escrevo aí no Notas. Houve tempo em que dizíamos ser comum na Fronteira comer erva e depois beber água quase fervente caso não houvesse uma cuia para sorver o amargo.

   Já mistura de cachaça – que no passado era chamada de canguara entre outros apelidos – com chimarrão não é nem incomum e muito menos recente. Aconteceu em 1967, em um churrasco na casa do Betão Grecco Soares, no bairro Ipanema, Porto Alegre. Quando a carne já estava quase no ponto, apareceu um retardatário, hoje desembargador, um tanto quanto adernado por sinal.

   Pediu um mate. Alguém passou a cuia e por acaso fiquei olhando para ele quando sorvia a bebida. Antes mesmo da cuia roncar, o futuro homem das vestes talares começou a ficar com um ar estranho. Pediu mais um e, em seguida, outro. Seu rosto começou a mudar de cor e sem mais nem menos ele desabou mais esparramado do que tapete de couro de boi.

   Pra encurtar o causo, alguém colocou cachaça em vez de água na chaleira. Como falei, a mistura de canha com mate não é incomum, mas um dentro do outro era novidade para mim.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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