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O passado do marechal

Quer dizer, da rua Marechal Floriano Peixoto. Falar em atrações gastronômicas e vida noturna de Porto Alegre quase sempre me remete à Rua da Praia, que nem abrigava tantos bares assim. Ao contrário, a Marechal teve muitos na década gloriosa de 1960. Alguns que avançaram os anos 1970.

Começando por baixo, em frente ao Terminal Parobé, havia a Churrascaria América, que tinha a classificação BB – boa e barata. Passando a Otávio Rocha, à esquerda, ficava o bar Jam, que chegou a ser bem famoso, mas sem muitos méritos, na minha opinião.   

Ao lado sobressaía-se o Restaurante Macrobiótico, o primeiro natureba de Porto Alegre. Era estranho observar as pessoas mastigando a porção por 32 ou 36 vezes, preceito dessa cultura de alimentação. Parecia a composição Bolero de Ravel, repetindo sempre a mesma frase musical.

Como hoje, bares tinham tribos, boa parte universitários ou jovens começando carreira, geralmente vindos do interior. Eram relativamente poucos os nativos da Capital.

Por isso, os seis jornais diários dedicavam bom espaço para fatos ocorridos “do lado de fora”.   

Na quadra entre a Rua da Praia e a General Vitorino, mais uma churrascaria, a Zimmer. O dono foi proprietário de uma casa famosa na Riachuelo, a Churrasquinta.

Passando a Salgado Filho, à esquerda, a danceteria – quase salão de baile – Gato Preto. Casa inocente onde garotas solitárias e tímidas eram tiradas para dançar por rapazes também solitários e tímidos.

Em frente, hoje um Zaffari, o bar Galarim, point de jornalistas. O dono já tinha bar no nome: Barcelino Becker. Depois que vendeu comprou um barco de pesca. Do bar para o mar.     

Logo depois da Riachuelo, o Banco da Província abriu, em 1966, a primeira agência bancária só para mulheres. Ao lado, quedava o Montanhês, do português Álvaro Monteie, bar-restaurante onde se bebia scotch livre de falsificações.

Mais perto da Duque de Caxias o Adelaide’s Bar, reduto da boemia. Música da salvaguarda, que merece uma historinha à parte. 

Defronte mais uma churrascaria, que teve vida breve e cujo nome passou batido. Era muito frequentado por moças e senhoras que se tratavam pelo sobrenome, Oliveira, Pacheco, Azambuja  entre outros. Assim era a Marechal. 

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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