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O meu coelho

As novas gerações não têm ideia de como Páscoa antigamente alegrava as crianças. Dependendo da renda dos pais, pouca coisa era chocolate e marzipã, ou maçapão, como nós chamávamos então. Ovo era feito de açúcar cristalizado. A diversão da criançada era descobrir ovos (duros de galinha) pintados com anilina, escondidos “pelo Coelhinho” nas moitas, mais amendoim doce torrado colocado em ovos vazios e coelhos de pão-de-mel. Era tão pouco, mas parecia às crianças a casa doce de João e Maria, Hänsel und Gretel no alemão, um dos tantos contos dos Irmãos Grimm (sempre eles…).

Estou sempre ouvindo, e ouço há décadas, que a Páscoa e a Sexta-Feira Santa devem servir para reflexão. Pode ser que alguém reflexione, mas não eu e outras trocentas milhões de pessoas. Desculpe a rudeza, mas quando há um tempo livre o cidadão, hoje, quer mais é não pensar em nada e simplesmente curtir o feriadão.

Por isso mesmo que temos saudades da nossa infância e do Coelho, do Papai Noel. A véspera sempre foi melhor que o dia D e o prazer da descoberta dos ovos que nossos pais escondiam, simples ovos duros de galinha, pareciam pepitas de ouro. Éramos crianças então, o mundo nos sorria. A carranca veio muito depois.

 

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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