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O jogo do pauzinho

Não vejo mais ninguém jogando pauzinho, que em outros tempos era febre nacional. Consistia em reunir duas ou mais pessoas no limite de quatro para ver quem acertava o número de palitos de fósforo – quase todo mundo fumava naqueles tempos – escondidos na mão fechada de cada um, no limite de três.

Mais que isso era para amador. Parece que é pura sorte. Mas, como no pôquer, requer prática para ganhar mais que perder. Depende da capacidade de observação de cada adversário, número de palitos que costumava ter na mão. Por exemplo, a repetição do mesmo jogo ou inversão, ora três ora só um.

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Em outros estados não sei, mas no Rio Grande do Sul era costume jogar para ver quem pagava a rodada de cafezinho nos cafés, que hoje chamamos de cafeterias. Interessante é que hoje se bebe mais cafezinho que naqueles anos de 1950 e 1960. Talvez se explique porque não tem “palito” disponível, embora o jogo possa ser jogado com moedas, que também não abundam. É mais uma perversidade colateral do cartão de débito ou crédito.

Por falar em cartão…

Interessante observar o comportamento dos caixas de operações gastronômicas, mesmo que seja para pagar despesas de pequeno porte. Ao chegar na máquina é preciso enfatizar que é cartão de débito, porque a maior parte paga com cartão de crédito, mesmo com despesas de 5 ou 10 pilas.

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É ilusão monetária, malandragem falsa no inconsciente, tipo não paguei nada hoje. Pois é, mas os caminhos da inadimplência passam por comportamentos dessa natureza, só um pouquinho, mais um pouquinho, e no final do mês é um poucão.

Rumo ao muro

Sempre ressalto que não é tanto a aceleração de novidades tecnológicas e mudanças sociais e de comportamento que impressiona, é a velocidade com que as novidades se sucedem. No comportamento sexual é – só estou registrando, não estou fazendo juízo de valor – incrível a quantidade crescente de casais do mesmo sexo nas ruas ou casando.

É um tema delicado, e corre-se o risco de ser taxado de preconceituoso, mas simplesmente é uma constatação. Mesmo nos casais homem-mulher o comportamento sexual mudou, a liberdade tomou conta. Em linguagem de advogado, em matéria de sexo, o que antigamente era recurso extraordinário, hoje é petição inicial.

É tão sensível abordar esse tema que os meios de comunicação pisam em ovos e até evitam abordar ou quantificar essa aceleração. No entanto, deveria ser natural que eles abordassem essas mudanças.

Será que é para não chocar – portanto, perder leitores/telespectadores, ou é para evitar retaliações? A máxima “o freguês tem sempre razão” chegou para valer. Há um outro aspecto, que é a autocensura.

O fim do capricho

Fraudes do leite não são feitas pela maioria das empresas. Mas como vou beber leite despreocupado? Misturas estranhas em alimentos processados não são maioria. Mas como vou comer um embutido sem me preocupar?

E que produto orgânico é mesmo orgânico? Preciso acreditar que o peso constante nas embalagens é o real. No entanto, há fraudes à reveria. Então como posso confiar nos rótulos?

Alguns hotéis e motéis não mudam os lençóis quando trocam de hóspede. Como confiar nos hotéis? Tudo está pifando.

Há anos bato nessa tecla, foi-se o tempo do fazer bem feito, com capricho. Posso até entender a obsolescência programada, mas não o relaxamento, no sentido mau da palavra. Essa ganância deriva do pai comum, o individualismo exacerbado, quero o meu, e o resto que se exploda.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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