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O futuro é agora

Assim como a enchente, os gaúchos vivem momentos inéditos e com desafios nunca antes imaginados. Até agora, choveu solidariedade e não faltaram voluntários, motos náuticas, helicópteros, aviões e alimentos.

Entretanto, tudo tem um fim. Já faltam voluntários. Até porque muitos têm que voltar aos empregos e cuidar das famílias. Quanto mais não seja, porque estão extenuados.  

Tudo que é sólido desmancha no ar

Para os que perderam tudo, o único consolo é o dinheiro dos governos, Estado, União. Desde que chegue a tempo.

www.brde.com.br

Quero acreditar que tudo que Lula prometeu chegue em um futuro próximo. Isso porque muitos municípios atingidos pela enchente de setembro do ano passado até agora não viram o dinheiro. 

O governador Eduardo Leite parece mais rápido e já foi direto ao ponto sem burocracias. Claro, dentro dos limites do estado.

Nova fase

Pessoas andam pela Rua Riachuelo com parte ainda coberta por água  e outra parte com sacos de areia que fazem barreira para que a água não invada. Sobre os sacos de areia, homens e mulheres caminham.  A pergunta que fica é se o futuro é agora.
Foto: João Dientsmann

Que ninguém se engane, a fase pós-dilúvio pode ser mais angustiante que a primeira. Especialmente nas áreas rurais, pequenos e médios agricultores e criadores.

Será duro para 90% dos municípios atingidos pelas enchentes. Mesmo nas partes altas, riachos viraram rios caudalosos. Houve deslizamentos, pontes e estradas ruíram. E boa parte das cidades ficaram isoladas.

Como eles vão retornar às lavouras, de onde virão as sementes, de onde e de quem comprarão cavalos e bois de tração? A vaquinha leiteira, como as hortas voltarão a produzir? 

https://cnabrasil.org.br/senar

Fala-se do interior. Mas, mesmo nas cidades grandes, a miséria é prevista para um futuro próximo. Para ficar nos pequenos, muitos não terão dinheiro para recomeçar seus negócios, bares, lancherias, padarias de bairro etc. E outros tantos perderam seus empregos porque o patrão também perdeu tudo. Ô miséria…

A gente sempre diz que gaúcho é corajoso e tenaz, que vamos dar a volta por cima. Entretanto, não tem como esconder a dor e as privações de hoje e de amanhã, e talvez para sempre. A vida nunca mais será a mesma para nós.

Mar, frio e gatos

Pela primeira vez na minha vida, fiquei mais de uma semana na praia fora da temporada. Foi uma bela experiência. Mesmo que não me restasse alternativa.

Meu apartamento na Capital é amplo, tem quatro sacadas protegidas com telas. Então, há espaço de sobra para as duas gatas da minha  filha.

Na praia, são dois quartos, um de casal. Portanto, a Guizadinho e a Petit Gateau não têm muito espaço. Foi  interessante observar como elas se adaptaram a novos ambientes depois de três horas de viagem em gaiola. Gatos, vocês sabem, gostam de dormir muito. 

Antes do dilúvio

Aeroporto Internacional Salgado Filho em maio de 1957, com ônibus e carros da época estacionados em frente e pessoas circulando. E o futuro do aeroporto como será?
Foto postada por José Leonir Eckert

Era assim o Aeroporto Salgado Filho de Porto Alegre nos anos 1950. Até ontem ele estava debaixo de água.

Nos hangares, a água entrou e afetou vários aviões, atingindo parte do trem de pouso, leia-se pneus. Mesmo assim, os freios foram danificados. E, com as regras rígidas de manutenção, precisarão ser substituídos ou recuperados.

É um caroço logístico, porque alguns modelos não têm oficinas em São Paulo. Aí, como faz?

Colete de avião 

Dono de bimotor com motor convencional resolveu o problema com uma solução engenhosa. Assim que a água começou a entrar no hangar colocou câmaras de ar embaixo das asas e fuselagem. Como se colocasse um colete salva-vidas em um ser humano. Ideia para o futuro?

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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