Assim como a enchente, os gaúchos vivem momentos inéditos e com desafios nunca antes imaginados. Até agora, choveu solidariedade e não faltaram voluntários, motos náuticas, helicópteros, aviões e alimentos.
Entretanto, tudo tem um fim. Já faltam voluntários. Até porque muitos têm que voltar aos empregos e cuidar das famílias. Quanto mais não seja, porque estão extenuados.
Tudo que é sólido desmancha no ar
Para os que perderam tudo, o único consolo é o dinheiro dos governos, Estado, União. Desde que chegue a tempo.

Quero acreditar que tudo que Lula prometeu chegue em um futuro próximo. Isso porque muitos municípios atingidos pela enchente de setembro do ano passado até agora não viram o dinheiro.
O governador Eduardo Leite parece mais rápido e já foi direto ao ponto sem burocracias. Claro, dentro dos limites do estado.
Nova fase

Que ninguém se engane, a fase pós-dilúvio pode ser mais angustiante que a primeira. Especialmente nas áreas rurais, pequenos e médios agricultores e criadores.
Será duro para 90% dos municípios atingidos pelas enchentes. Mesmo nas partes altas, riachos viraram rios caudalosos. Houve deslizamentos, pontes e estradas ruíram. E boa parte das cidades ficaram isoladas.
Como eles vão retornar às lavouras, de onde virão as sementes, de onde e de quem comprarão cavalos e bois de tração? A vaquinha leiteira, como as hortas voltarão a produzir?

Fala-se do interior. Mas, mesmo nas cidades grandes, a miséria é prevista para um futuro próximo. Para ficar nos pequenos, muitos não terão dinheiro para recomeçar seus negócios, bares, lancherias, padarias de bairro etc. E outros tantos perderam seus empregos porque o patrão também perdeu tudo. Ô miséria…
A gente sempre diz que gaúcho é corajoso e tenaz, que vamos dar a volta por cima. Entretanto, não tem como esconder a dor e as privações de hoje e de amanhã, e talvez para sempre. A vida nunca mais será a mesma para nós.
Mar, frio e gatos
Pela primeira vez na minha vida, fiquei mais de uma semana na praia fora da temporada. Foi uma bela experiência. Mesmo que não me restasse alternativa.
Meu apartamento na Capital é amplo, tem quatro sacadas protegidas com telas. Então, há espaço de sobra para as duas gatas da minha filha.
Na praia, são dois quartos, um de casal. Portanto, a Guizadinho e a Petit Gateau não têm muito espaço. Foi interessante observar como elas se adaptaram a novos ambientes depois de três horas de viagem em gaiola. Gatos, vocês sabem, gostam de dormir muito.
Antes do dilúvio

Era assim o Aeroporto Salgado Filho de Porto Alegre nos anos 1950. Até ontem ele estava debaixo de água.
Nos hangares, a água entrou e afetou vários aviões, atingindo parte do trem de pouso, leia-se pneus. Mesmo assim, os freios foram danificados. E, com as regras rígidas de manutenção, precisarão ser substituídos ou recuperados.
É um caroço logístico, porque alguns modelos não têm oficinas em São Paulo. Aí, como faz?
Colete de avião
Dono de bimotor com motor convencional resolveu o problema com uma solução engenhosa. Assim que a água começou a entrar no hangar colocou câmaras de ar embaixo das asas e fuselagem. Como se colocasse um colete salva-vidas em um ser humano. Ideia para o futuro?