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O destino dos marujos

Nos tempos em que navios de várias nacionalidades ancoravam no Cais do Porto da Capital, corriam muitas lendas sobre contrabandos que os marinheiros traziam. Notadamente perfumes (também conhecidos como presente do remorso), cigarros, produtos de maquiagem, bebidas como uísque, lâminas de barbear Wilkinson e desodorantes ingleses.

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Boa parte era destinada a compradores já conhecidos dos marinheiros. Dentre eles, como garçons de cabarés, porque tanto o acesso aos barcos quanto a saída dos marinheiros para terra firme era muito controlada.

Os marinheiros tinham má fama conforme o país de onde procediam.
Interessante que havia muitos navios com a bandeira da Libéria, uma nação africana fundada por ex-escravos negros egressos dos Estados Unidos. Os impostos e taxas eram baixíssimos para os navios. Um dos lugares preferidos nas décadas anteriores a 1960 era o Restaurante Naval do Mercado Público, então com formato e foco bem diferente do de hoje.
 Brigas com direito a garrafadas, mesas e cadeiras quebradas, não eram incomuns.

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Outro ponto que os marujos frequentavam eram os cabarés da Voluntários da Pátria. No Centro, atracavam as prostitutas de rua na área nas transversais da Andradas e depois da Caldas Júnior. Na própria Caldas Júnior, entre a Andradas e Riachuelo, havia um cabaré barra pesada chamado Bambu, preferido dos marinheiros suecos. Em regra, ninguém se metia com marujos, porque a maioria era muito boa de briga.

Nos navios brasileiros, de cabotagem, os que tinham tripulação nordestina também tinham fama de bons de briga. Com o detalhe que eram bons mesmo na navalha, que não raro colocavam recolhidos no sapato. Em caso de bochincho, lutavam com os pés como na capoeira mas “armavam” essa arma de fazer sangue jorrar. Aos poucos, os navios deixaram de ancorar e uma época ficou para trás e surgiu outra pela frente.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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