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O caso dos dois anões

Em um circo dos Estados Unidos, em décadas passadas, dois anões, ou hoje pessoas verticalmente prejudicadas, faziam muito sucesso entre o público. Invariavelmente eles usavam bengalas no número.

Um deles tinha mais verve, era mais aplaudido do que o seu colega. Mas como é assim no circo e também no circo da vida, o espetáculo continuou. Certa manhã, um deles, o que fazia menos sucesso, apareceu morto no camarim, estrangulado.

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A investigação policial levou algum tempo porque a vítima não tinha inimigos Entre os colegas não havia motivação para assassiná-lo.

Os policiais quebraram a cabeça e, depois de voltas e reviravoltas, descobriram que o assassino era seu colega de circo, o anão que era mais aplaudido pelo público. Na confissão, alegou defesa da honra e explicou o surpreendente motivo.

Algumas raras vezes, anões crescem depois da vida adulta, e ele sentiu que isso estava acontecendo com ele. Com medo de confirmar o que seria catastrófico para sua carreira, ficou deprimido. Nem mesmo procurou medir sua altura para ver quantos centímetros tinha crescido.

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Deu-se que, certa madrugada, foi ao camarim buscar alguma coisa que esquecera após o espetáculo e surpreendeu o colega de show lixando a ponta de baixo da sua bengala. Ao ver a cena, soube o motivo do seu crescimento. A compreensão levou-o à fúria e ao assassinato.

Simples: a vítima vinha lixando a parte de baixo da sua bengala ao longo do tempo. Alguns milímetros por mês, mas o suficiente para deixar a bengala levemente mais curta. Consequentemente, dava ao dono a sensação de que estava crescendo, o que significaria o fim do seu emprego.

O caso é uma adaptação minha para uma história publicada no Ellery Queen ‘s Mystery Magazine.

A longa jornada até a glória

Estamos quase entrando em um ano eleitoral. Os candidatos tratam de escolher profissionais que conheçam o cego dormindo e o rengo sentado em matéria de campanhas. O que não é fácil.

Os poucos custam muito caro e os melhores do ramo deixam claro que não há garantia 100% de sucesso. Também insistem que o contratante precisa obedecer à estratégia oferecida.

Um dos grandes problemas dos marqueteiros políticos é a intromissão de familiares na campanha. Na eleição passada, um postulante ao Executivo se deixou influenciar pela família e deu com os burros n’água. Não foi eleito porque amador não ganha nada, a não ser medalha de bronze.

A história política brasileira está cheia de casos parecidos. Pior é que botam a culpa nos marqueteiros pelo insucesso.

O que nos leva a um paradoxo. Se o candidato for bom mesmo e souber o caminho das pedras, tende a não aceitar intromissão de assessorias. Então reluta em seguir o traçado.

Ao contrário, se o cara for ruim, mesmo obedecendo bem obedecido o que lhe sugerem dificilmente chegará lá. Como no futebol, dinheiro não transforma perna de pau em craque. 

Quanto aos jornalistas que são convidados por candidatos, dou um conselho gratuito e que reputo ser de primeira necessidade. Primeiro, claro, procure saber se o sujeito que quer contratá-lo não está no SPC dos maus pagadores.

Segundo passo, peça o dobro do que você pensa em pedir, e exija a metade do acertado antes de iniciar os trabalhos. Se ele não pagar os outros 50%, já está no lucro, você leva o que queria pedir no todo.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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