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O barulho que agradava

Quem é da época do computador e não pegou as máquinas de escrever ficaria escandalizado com o barulho das máquinas de escrever trabalhando ao mesmo tempo. Até naquela época, leigos em redações de jornal ficavam chocados e me perguntavam como alguém poderia se concentrar com essa confusão.

Máquina de escrever vista de cima
Foto: CanvaPró

Respondia que o ser humano se adapta a qualquer circunstância adversa, e foi bem o caso. Para nós, jornalistas, aquilo era como música.

Falando por mim, quando entrava noite adentro batendo matérias sentia um vácuo auditivo, posto que o grosso dos jornalistas já tinha ido embora. Restavam poucos gatos pingados depois das 22h.

Naqueles tempos, as edições fechavam bem tarde. Ao contrário de hoje onde só as edições online são atualizadas. E olhe lá.

Sempre dito que, até os anos 1980, os jornais mantinham um espaço aberto para notícias vindas até a 1h da madrugada. Para se ter uma ideia, as edições de domingo publicavam até o resultado da Loteria Federal, que corria às 18h de sábado.

Se quer saber, mesmo com 25 anos de computador, ainda sinto falta do matraquear das máquinas de escrever. De certa forma, tornava o jornal vivo.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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