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O assassinato do luar

O avanço de placas e luminosos mais a iluminação pública impede que se veja todo o esplendor da lua cheia, aquele da música. Agora querem botar um painel gigante no Morro da Embratel. Pelo andar da carruagem, não seria surpresa se a Coca Cola colocasse seu logo na Lua.

O espanto do alemão

   – Hört mal zu, was ein brasilianischer Journalist über die Arbeitszeiten der Journalisten in Brasilien berichtet.

Em tradução liberal, “Pessoal, vem aqui ouvir o que um jornalista brasileiro diz como se trabalha”. A frase foi dita quando estive na Alemanha, em 1985, e fui convidado, juntamente com oito colegas, para um almoço no Clube de Imprensa de Bonn, então capital da Alemanha, antes da queda do muro.

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Na época, eu escrevia o Informe Especial do jornal Zero Hora, entre 1982 e 1989. Um alemão que estava sentado na minha frente se mostrou interessado em saber como um colunista trabalhava no Rio Grande do Sul, e qual era a carga horária e semanal.

Ingenuamente, descrevi meu dia a dia. A coluna era diária, inclusive sábados e domingos. Que eu a escrevia sozinho, não tinha nenhum auxiliar nem para o que chamo de servicinho sujo, como ligar para fontes – que podia demorar – e nem para pesquisas, que na época sem Google era um parto.

www.brde.com.br

Foi neste ponto que ele abriu a boca em forma de “O”, espantado.

– Mas é todos os dias? Não folgas nunca? – perguntou.

– Não, respondi, teoricamente eu poderia deixar para um interino em caso de emergência ou doença.

Ele não queria acreditar no que estava ouvindo. Então proferiu a frase que abre este comentário.

https://cnabrasil.org.br/senar

Na sequência, explicou que, na Alemanha, era vedado a um jornalista escrever uma coluna diariamente. Havia regras e limitações.

Bem, disse eu, vocês são um país adiantado. Já no meu, jornalista tem que ser assim ou bailou na curva.

Nem entrei no detalhe do salário, porque historicamente profissionais de imprensa ganham mal. E tem que explicar que, a exemplo de jogadores de futebol, apenas um pequeno percentual ganha grandes salários. E a maioria, das televisões. Na imprensa escrita, só grandes articulistas de renome nacional, e pouquíssimos.

Vale até hoje, e piorou depois da pandemia e da queda de anúncios devido à concorrência das plataformas digitais aliada à crescente tendência de desinteresse pela leitura. Sejam de jornais ou livros.

A maioria só quer ver figurinha, costumo dizer. Essa é a nossa desgraça.

Repito o escritor Monteiro Lobato, que dizia que uma Nação se faz com homens e livros. Vocês não tem ideia como tudo degringolou no Brasil em poucas décadas, a qualidade e a arte de saber escrever aliado a um leitor devorador de textos. Alles Kaputt.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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