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O alemão

O alemão com a minha mãe
O alemão com a minha mãe

Em uma dessas crises cíclicas que o Brasil enfrentou em décadas passadas, um alemão que lutou neste caça-minas da Marinha Alemã durante a I Guerra Mundial (foto) e veio para o Brasil na década de 1920, ironizava muito como nós brasileiros usamos a palavra crise por qualquer resfriadinho comum. De fato, temos esse vício. E nós jornalistas turbinamos o termo como se fosse a única notícia do mundo. Até gandula de futebol que se machuca é inserido em algum contexto de crise.

Vocês não sabem o que realmente é uma crise, dizia ele. Você nunca passaram por uma de verdade, falou ele com a experiência de quem passou os turbulentos primeiros da década de 1920, na já explosiva Alemanha e hiperinflação mais falta de alimentos.

Vocês nunca precisaram comer carne de cavalo morto e já podre; nenhum brasileiro precisou ferver sola de sapato durante horas para obter dois ou três gramas de proteína; nenhum brasileiro morreu congelado ou teve mãos ou pés amputados porque não tinha carvão para se aquecer, com temperaturas de 20 ou 30 graus centígrados negativos. Isso sim é crise, crianças.

O alemão era meu pai.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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