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A lava-jatinho

  Grandes empreiteiras ou construtoras terem ligações perigosas com governantes ou ministros ou diretores de estatais é mais antigo que homem fazer xixi para a frente. O que mudou foi o tamanho do jabá, que, no Brasil dos anos 70, era merreca, não raro uma cesta de Natal caprichada era recebida com deslumbramento. Mas quem recebia era outro departamento.

   Nestes anos 70, fui executivo de marketing de uma empresa de crédito imobiliário, de abrangência nacional. Na época, construíam-se grandes conjuntos residenciais em todo o País pelo Sistema Financeiro de Habitação, do qual o BNH era o operador. Conheci muita gente do ramo e nessas conversas, às vezes num bar ao lado da Igreja da Consolação, SP. Um desses big shots, como eram chamados os CEOs de hoje, bebeu vodca polonesa Wyborowa demais e deu com a língua nos dentes. Como ele e seus colegas sabiam com antecedência onde, como e a que preço seriam construídas obras públicas?

  A explicação é tão clara que chega a doer a vista. Não davam jabá para cachorro grande nos ministérios e estatais. Eles subornavam, a preço vil, as secretárias e o boy que tirava xerox. Ali se sabia tudo nos mínimos detalhes. Simples, eficiente e barato.

  O boy, vejam só, o boy.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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