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Eu não acho

Eu tenho duas horas e meia a cada dia que procuro não achar nada. É quando vou para a academia do União, esteira e musculação. Especialmente na primeira, desligo a chave geral e até o nobreak. Ficamos eu e meus fantasmas, cúmplices do silêncio. É uma hora inteira sem achar nada.

De vez em quando, um me reconhece e pergunta o que eu acho. Finjo surdez ou faço aquele abrir de braços como a dizer que não acho nada. Meus fantasmas não gostam da intromissão e alguns ficam muito ofendidos. Pedem que eu faça alguma coisa. Um dia fiz. Na segunda vez que um sujeito me perguntou o que eu achava da situação, parei a esteira.

– Amigo, desculpa, mas eu durmo achando, acordo achando, escrevo achando, vou para o jornal achando, escrevo o blog achando e só paro de achar quando o sono me acha. Então agora, nesta esteira, eu não gosto de achar nada, certo?

Contam que certa vez Millôr Fernandes foi a um coquetel meio que na obrigada. Um general o reconheceu e o abordou.

– Conta uma piada?

Millôr bebericou seu uísque.

– Dá um tiro de canhão?

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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