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De novo e de novo

Não existe nada mais deprimente e frustrante  que o repique de  uma tragédia. As águas tinham baixado, os desalojados voltavam para suas casas e eis que – em um dia – choveu mais do que um mês inteiro em Porto Alegre e na Região Metropolitana.

Foto: Alex Rocha/PMPA

O êxodo

Boa parte dos gaúchos quer mudar de cidade. Outra parte quer ir embora. Futuro sombrio, com 90% das Indústrias afetadas, comércio em pandarecos, Muita gente sem emprego porque o patrão perdeu tudo, como ela. Quero ser otimista. Mas é como ligar  um carro, e o motor morrer em seguida.

www.brde.com.br

Mais um

O jornalista fotográfico Ricardo Chaves, o Kadão, deixou o jornal Zero Hora, empresa onde trabalhava desde 1992, como editor de Fotografia. Colunista do Almanaque Gaúcho, o último material do profissional foi publicado na sexta-feira, 3 de maio. Embora a conversa para a despedida tenha partido da empresa, a decisão foi tomada em comum acordo.

É uma grande perda. Nas suas páginas, registrava e resgatava fatos e imagens históricas que tinha grande número de leitores.

Não sei os motivos porque a ZH o demitiu. Mas é triste para mim constatar que a experiente velha guarda tenha sido obrigada a botar pijama. Sou um dos poucos, talvez o único, colunista veterano de jornal impresso em atividade.

https://cnabrasil.org.br/senar

Nuvens pesadas

Pairam no horizonte do jornalismo de Porto Alegre. Quando comecei, em 1968, a capital tinha sete jornais impressos diários, fora os semanais.

Hoje, temos quatro e um é apenas digital. É provável que, no médio prazo, mais um pelo menos só mantenha a versão digital. Vocês vão dizer que ainda temos o online, que todo mundo pode ler porque a assinatura é barata. Só que não.

O leitor atual – salvo os realmente interessados – não quer pagar nada. E essa história que o número de acessos é na casa de milhões tem um grande porém. Estudo do Google feito após a pandemia mostrou que o tempo médio em que o internauta fica na tela é de apenas 6,8 segundos, sempre alertando que é tempo MÉDIO. Pode ter mudado um pouco. 

Quer dizer que, se não tem uma minhoca gorda no anzol da capa, ele cai fora. Significa que é necessário ter bons jornalistas nas redações.

Lamento, mas como em outras profissões, a qualidade caiu barbaridade. E o grosso ganha muito mal. Não é apenas mal, é muito mal.

Os crédulos

Gente grande, gente bem instruída, cai como um patinho nos mais toscos vídeos e imagens que até um adolescente veria que são montagens ou tirados de outros contextos. Pior, compartilha nos grupos, que compartilham com outros grupos e assim a roda de falsidades gira.

Quanto mais inverossímil, mais eles acreditam. Não tem como impedir essa avalanche.

Tudo que sobe…pode subir mais ainda.”

Pensamento do Dias

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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