Search
Search

Cãibra na célula

É fascinante como o povão capta o sentido de algumas palavras mesmo errando feio na grafia. Sou um apaixonado pelo tema. Já contei aqui o caso de uma doméstica de estância do Alegrete que falava “letras de cãibra ”, porque certa vez ouviu seu patrão falar que investia em Letras de Câmbio, aplicação comum nos anos 1960.
Agora vem outra preciosidade de outra cidade da Fronteira Oeste. É relativamente comum o pessoal do campo falar na “veia artéria”, mas eis que surge um upgrade gaudério. Leitora conta que ouviu falar no que deve ser uma nova descoberta em anatomia no campo da angiologia: a veia lautéria. Nos antigamentes, Lautéria era nome comum entre as mulheres.
De outra feita, ouvi um relato de que um eletricista deixou uma “foto cela” sobressalente, caso a que está instalada num equipamento queime. Aqui mesmo na cidade grande meus ouvidos já captaram “imai”, “emel” e variações do tipo. Como dizia um vereador de cidade do Vale do Caí quando riam do seu português, “vocês entenderam, não entenderam?”
Sim senhor, patrão. Entendemo, craro que entendemo

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

Deixe sua opinião

Publicidade

Publicidade

espaço livre