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Brilho assassino

Teve um caso que, volta e meia, assoma na superfície da minha memória, como uma rolha que se solta do fundo. Envolve um jornal do Ceará, que ilustrou uma matéria sobre o continente antártico com uma foto da cerveja Antártica.

Nos anos 1960, o falecido Diário de Notícias de Porto Alegre fez algo pior numa edição dominical, tradicionalmente morna por falta de notícias quentes. A manchete descabelava-se: “Apareceu um pinguim em Torres!”.

Logo abaixo, no que nós chamamos de linha de apoio, veio um adendo estarrecedor: “De onde será que ele veio?”.

Aí é que entra o estudo. O pinguim veio ou do deserto do Kalahari ou do chileno Atacama. Só Deus sabe.

Mas também tem o caso do chocolate do Edson. Em roda de café de uma turma antiga nossa, no Café Chaves, Centro de Porto Alegre, o dono de uma loja de chocolates finos ofereceu à turma uma prova do produto. Querendo mostrar que entendia do riscado, o professor Edson foi ao ataque.

– Esse chocolate é com trutas?

– Como?

– Perguntei se esse chocolate é com trutas?

O dono da loja não queria acreditar no que ouvia. Trufa por truta! Por educação, deixou passar. Mas vi que por um microssegundo passou um brilho assassino nos olhos dele.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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