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A volta do ET

Meu querido diário: volto a me reportar sobre os estranhos povos que habitam o terceiro planeta em ordem de afastamento do Sistema Solar. Os terráqueos sabem que ele é o único habitável deste sistema.

Ainda bem, digo eu, porque seria uma catástrofe se o Sol tivesse outros povos tão, digamos, escalafobéticos. Agora estou no Hemisfério Sul no estado mais meridional de um país chamado Brasil.

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É realmente um povo engraçado no sul. Quando começa a esquentar, metem-se em veículos (eles ainda usam rodas, hidrocarbonetos e polímeros) e, aos magotes rumam de forma completamente doida rumo a uma estreita faixa de areia nas margens do oceano. Saem quando há mais espaço nas cidades de origem. E deduzo que faz parte de um ritual de expiação de culpas, algo como autoflagelação psíquica.

Nas cidades, permanece uma quantidade menor de pessoas, presumo que a maioria seja de escravos. Alguns têm licença de deslocamento para as praias nos finais de semana, se bem entendi.

https://cnabrasil.org.br/senar

Muitas fêmeas que ficam nas praias acasalam com outros machos. Igualmente, os machos que estão ou voltam para os aglomerados urbanos de origem também mantêm relações com fêmeas aleatórias. Geralmente, após encontros em lugares fechados onde há bebidas e a estridente e gritada música da Terra.

Meu chip sensor de som captou fragmentos das conversas sem sentido, nas quais se repetem muito um número e uma observação. Este valor varia para cima ou para baixo, mas é algo tipo “quinhentos por duas horas, meu amor”. Quando machos e fêmeas ficam sabendo de relacionamentos com outros e outras, o que se sente prejudicado chama alguém que eles chamam advogado para se separar.

Na maioria das vezes, as fêmeas têm comportamentos absolutamente paradoxais. Vestem peças mínimas, mas quando alguém as olha adotam atitudes agressivas e reclamam muito destes olhares.

Na areia, este povo aparentemente espera a vida de algum deus, porque ficam quase nuas caminhando ou sentadas na areia besuntadas com algum tipo de substância. Deve fazer parte de alguma liturgia para agradar a um deus da areia.

A 120 por hora

No aniversário dos 50 anos da freeway, faltou dizer que, no primeiro ano, o limite de velocidade era de 120 Km/h. Quando viram os choques de petróleo, para diminuir o gasto de combustível, a máxima passou a 80 km/h.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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