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A viagem do prepúcio

Quando Jesus era um bebê, ele, como qualquer outro menino judeu, teve seu pênis circuncisado. Mas como ele era Jesus, seu prepúcio era muito mais especial do que o dos outros. Na verdade, as pessoas achavam que tinha poderes mágicos.

Durante a Idade Média, houve inúmeras reclamações de pessoas que possuíam o prepúcio sagrado. Em um ponto, havia 18 deles pelo mundo. O que significa que Jesus tinha 18 pênis ou que o prepúcio de bebês aleatórios estava sendo penhorado como se fosse o legítimo de Cristo.

Carlos Magno, por exemplo, supostamente deu o prepúcio ao Papa Leão III como um presente de Natal em 800, quando este o coroou imperador. O negócio foi roubado em 1527. Bem, mais ou menos. Foi redescoberto em Calcata, Itália, em 1557, e foi autenticado pela Igreja.

Só que, em 1100, Balduíno I de Jerusalém trouxe um prepúcio de Jesus diferente (mas presumivelmente “legítimo”) para a Palestina durante a primeira cruzada. Esse também desapareceu.

Em seguida, reapareceu no século XII, e depois desapareceu de novo. E aí reapareceu de novo em 1856. Então, o prepúcio de Jesus pode viajar no tempo, ou alguém (ou todo mundo) mentiu.

Em 1900, o Vaticano declarou que quem falasse ou escrevesse sobre o Santo Prepúcio seria excomungado. No mais novo episódio da obsessão pela carne pobre do pênis de um bebê, um padre em Calcata roubou o suposto verdadeiro prepúcio em 1983, como contava meu falecido amigo Davi Castiel Menda, piscando o olho.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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