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A lista de Albrecht

Todo mundo, homem ou mulher, deveria ter direito a algumas coisas sagradas nesta vida. Um amor e uma cabana sem dramas, uma noite com um sonho de consumo, uma sesta de pelo menos 30 minutos por dia.

Já nem falo em um bom salário, porque fica implícito. Se existe mesmo uma justiça divina, ninguém deveria ser obrigado a comer filé de garrão ou comida dessas que se precisa tapar os olhos para não ver o atentado que se vai engolir. Com pequenas variações, seria de bom tamanho para qualquer ser vivente dizer ao fim de cada dia: “Bom, Deus existe”.

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Com a vida passando mais rápido que nuvem passageira, todos nós também deveríamos ter uma lista de assuntos que NÃO merecemos. Entre estes, ouvir rapa ou funk sem melodia, assistir o mesmo comercial várias vezes por dia, ver documentários de 10 ou 15 anos nos canais pagos, ter o desprazer de ficar sem sinal de internet, de ver tabletes de chocolates diminuir de tamanho mas com preço igual a quando eram grandes, sanduíche com fatias de queijo e presunto mais finos que papel celofane, café aguado e pizza sem queijo, que parece estar na moda, embora queijo seja a alma da pizza.  

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Particularmente, gostaria que não existisse pizza ou salada de rúcula com tomate seco. E quando vem um PF, que viesse sem aquela pimentinha, que não arde e nem tem gosto, espetada no arroz. Nunca entendi a moral da história, salvo se é para aborrecer o cliente. Ou então tem uma super safra de pimenta que não arde e nem gosto bom tem.

Na lista de NÃO QUERER incluiria o horário eleitoral gratuito. E, ainda, promessa de candidato fingindo que sabe o texto de cor ou fala de improviso, quando se observa seus olhos ziguezagueando no teleprompter.

Também o ser humano não deveria fazer fritura no mesmo óleo da semana passada, panetone de segunda categoria – que seria mais apropriado para tapar buraco na rodovia. Também deveria ser proibido miss de qualquer coisa dizendo ao microfone “é como um sonho…”. Muito menos discurso de formatura.

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Só com essas pequenas coisas que deveremos ter e as outras que não gostaríamos de ouvir já daria para dizer que a vida vale a pena.

O cadarço assassino

“Seja eficiente ao dar o laço para que ele não solte facilmente. Mas, como manter o laço firme? Após dar o laço, segure o cadarço no ponto entre o buraco do sapato e o nó do laço com os dedos polegar e indicador, dos dois lados dos passadores, um com cada mão, e puxe para as laterais. O primeiro nó ficará mais firme e o laço tenderá a ficar melhor centralizado. Esta técnica…”

Neste ponto eu já me perdi. O trecho acima é uma pequena parte de um quilométrico texto em que a assessoria de imprensa de um médico paulista ensina como dar laço em cadarço, para evitar tombos e ferimentos. Vocês não vão acreditar no tamanho do e-mail: o redator usou nada menos do que 1.449 palavras ou 8.259 caracteres em 104 linhas de computador para explicar como se faz essa proeza!

Nossa mãe! Se ainda fosse para dar nó em pingo d’água eu poderia entender, mas em cadarço?

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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