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A hora mais amarga

Mesmo com toda a tragédia, os gaúchos – ou parte deles – já iniciaram a faina da limpeza e reconstrução. O ser humano é mais versátil que qualquer robô.

Na hora mais amarga, ele consegue até sorrir, uma vez que está acostumado com a desventura. É capaz também de viver em temperaturas congelante de 30/40 graus negativos até acima de 50 graus no deserto.

É uma máquina de carne, osso e consciência, que nada mais é que o cérebro processando uma informação. Mas há um porém, o de sempre.

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O sócio que se deu mal

Na medida que a população gaúcha for engatando uma terceira marcha, voltando a uma vida “normal”, as sequelas de perda de renda e emprego mais o confinamento em abrigos ou no que sobrou das casas e apartamentos, os conflitos familiares latentes vão aflorar. A escalada será interminável.

Sempre recordo um caso contado por João Amaro, irmão do comandante Rolim Amaro, fundador da TAM – no tempo em que era Táxi Aéreo Marília. No caminho para ver o Museu de aviões da empresa, anos 1990, João contou como eles começaram e como cresceram até a TAM virar uma potência continental.

Ele disse que um sócio de primeira hora achou que podia tocar um voo solo e abriu uma empresa de táxi aéreo. Péssima ideia. Foi mal nos negócios, quebrou, dívidas por todos os lados e até a mulher o abandonou.

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Ao finalizar esse retrato pungente, João Amaro se virou para mim e disse algo que nunca esquecerei.

– Você sabe como é, gaúcho… Quando a fome bate na porta, o amor pula a janela.

Informação seletiva

É incrível como o mundo globalizado se comunica seletivamente. Para saber o que acontece nos países da América Latina – Cuba, por exemplo – precisa assistir à televisão espanhola.

Nos anos 1980/90, quando a comunicação tornou-se mais abundante, os jornais usavam e abusavam de notícias vindas de países mais distantes. Tanto que foi criada a expressão “Tudo sobre a China, nada sobre a esquina”.

Posso testemunhar que, depois de seis anos fora do jornal diário, recuperei minha posição de destaque falando sobre o buraco da esquina. Esta é metáfora para problemas e soluções próximas aos leitores.

Sem trégua

Há que considerar que tanto Melo quanto Leite estão virando praticamente 24 horas desde o início da enchente. Relatos de amigos informam que Melo quase não dorme. Também, pudera.

Seu perfil sempre foi a rua e não o gabinete. Do governador pode-se dizer a mesma coisa. Só que, em vez da rua, são as cidades.

Então, jogam pedras nos dois. Uma especialidade da esquerda, que só sabe criticar sem oferecer soluções. Canta tua aldeia e cantarás o mundo, já dizia o escritor russo Leon Tolstoi.  

No céu

Meteoro observado pela tripulação da TAM percorreu 500 quilômetros.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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