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A caneca de chope

A Ambev chegou a ser a empresa dos sonhos para se estagiar, segundo antigo levantamento feito pela Confederação Brasileira das Empresas Juniores. Fez lembrar um episódio cômico da antiga Cervejaria Brahma de Porto Alegre, a mim contado por um mestre cervejeiro aposentado.

Os mais antigos devem recordar o famoso apito da fábrica na rua Cristóvão Colombo. Era o relógio de pelo menos meia dúzia de bairros, começando às 7h. O último apito era às 17h.

Em meados dos anos 1960, a Brahma resolveu modernizar o sistema de produção e extinguiu algumas liberdades que vinham do tempo em que se amarrava cachorro com linguiça. Os funcionários do engarrafamento paravam algum tempo, no meio da tarde.

Isso porque cansava a vista ao examinar visualmente longas fileiras de garrafas de cerveja, para ver se não tinha algum objeto estranho na bebida A parada era acompanhada por uma caneca de chope.

Pois essa benesse foi cortada, porque novos sistemas de controle dispensavam o olho humano. Então, não precisavam descansar os olhos e, por isso, não recebiam mais a bebida.

Foi aí que o sindicato da categoria entrou com uma ação alegando direitos adquiridos. Tiveram ganho de causa e fizeram um acordo.

Na hora de acertar os detalhes, o juiz perguntou se os funcionários queriam aquela meia hora que paravam em dinheiro ou diminuição equivalente na jornada de trabalho. Tanto faz, foi a resposta. Mas o que eles queriam mesmo era a volta da caneca de chope, e bateram pé.

A companhia concordou, mas surgiu um problema, o de beber na hora de serviço. Chegaram a outro acordo.

Além do almoço no refeitório, a Brahma pagaria também o jantar, desta vez com o chope. A Brahma foi a única empresa na época a disponibilizar almoço e jantar para os funcionários.

Então ser empresa dos sonhos para trabalhar não é de hoje, certo?

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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