18 Mai 2012
A sabedoria do Franco
"...boi ou vaca, deitados na rua de noite, sem lanterna no chifre"
O pesadelo dos politicamente corretos é voltar no tempo. Imaginem estas ilustres e não raro rançosas pessoas vivendo na Vila de Catimbau, interior das Minas Gerais e lendo o Decreto de 4 de março de 1864 assinado pelo fiscal A. Franco encarregado da segurança pública a serviço de Sua Majestade o Imperador Dom Pedro II. Mas ele é atualíssimo.
O artigo 1º reza que “Ficam proibidos os regos. Aqueles que não os tiverem, bem como os buracos, serão multados em $20000, no cobre”, maneira de dizer cash naquela época. O artigo 2º é atual também: “Nenhum animal da ordem das cabras poderá roer pelo vizindário”. Tirem cabras e botem cães e fica tudo como se hoje fosse. Ou deveria ser.
Pulando o 3º e indo para o 4º: “Nenhum negociante ou taverneiro, mesmo Coronel da Guarda Nacional, poderá vender farinha em cuia que é ladroeira”. Atual também. Cana para frango em cuja embalagem se lê um quilo e na real pesa 800 gramas. E não vale carteiraço.
Artigo 7º: “Boi ou vaca, deitados na rua de noite, sem lanterna no chifre, de modo que os andantes não os vejam bem, multa cash de $5000. Ou seja, ligue faróis e pisca, seus compradores de CNH.
Esse tal de A. Franco era mesmo um sábio. Vejam só o recado final: “E para que não digam que não sabiam, mando afixar este edital e mais outro na porta de frente e detrás do boticário, que é o local onde mais se fala da vida alheia”.
Era bom esse Franco!
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